A qualidade do conilon foi o grande destaque da 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, evento realizado na última quinta-feira (17), na Fazenda Experimental do Incaper, em Linhares. Realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o encontro teve como proposta aproximar produtores de conilon de um mercado que busca qualidade, volume e regularidade de fornecimento. A primeira edição do evento reuniu produtores, técnicos, especialistas e compradores nacionais e internacionais para discutir as oportunidades e a valorização do grão no mercado.
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Qualidade do Conilon Abre Oportunidades e Gera Valorização Financeira
Foram habilitadas para a Mostra 20.398 sacas de café conilon, provenientes de 17 produtores e duas cooperativas, Cafesul e Cooabriel. Os participantes representaram 14 municípios capixabas, e os lotes apresentados tinham, no mínimo, 420 sacas. A programação contou com palestras, cupping dos cafés participantes e negociação direta entre produtores e compradores. Durante o evento, compradores avaliaram os cafés e alguns negócios começaram a ser fechados, com diferenciais de R$ 50 a R$ 100 por saca.
Segundo o subsecretário de Desenvolvimento Rural da Seag, Michel Tesch, o retorno dos compradores foi positivo. “Foi um grande sucesso. Muitos produtores, muitos técnicos participando. Muita informação relevante sobre o mercado desses cafés e o custo de produzir qualidade. Bastante produtor interessado em fazer esse conilon Fine Cup. Enquanto isso, no cupping, o feedback dos compradores foi excepcional. Ficaram impressionados com a qualidade, com o volume e demonstraram muito interesse comercial. E mesmo que a gente saiba que os negócios serão fechados, de fato, nos próximos dias, já tivemos operações com diferenciais de R$ 50, R$ 100 por saca. A Mostra foi um grande sucesso, como esperado, e marca uma nova trajetória para o conilon de qualidade e volume”.
Para a gerente de Programas e Projetos da Seag, Aline Silva, a iniciativa aproxima os produtores de um mercado que valoriza não apenas a qualidade, mas também a capacidade de fornecimento. “A Mostra foi pensada para aproximar os produtores de conilon de um mercado que busca qualidade, mas também volume e regularidade. É uma oportunidade de apresentar o potencial dos cafés capixabas, valorizar quem já vem investindo e incentivar outros produtores a também avançarem, mostrando que existe um mercado que procura e exige cada vez mais qualidade”.
Um dos palestrantes da programação foi o produtor rural Isaac Venturim, da Fazenda Venturim. Ao falar sobre os desafios para avançar na produção de cafés de qualidade, ele destacou a necessidade de mudança na cultura do produtor.
“O maior desafio é a mudança, porque é uma parte cultural. Nós estamos com a faca e o queijo na mão, temos produtividade, o produtor tem como colher mais maduro, mas precisa mudar o pensamento. Muitas vezes fica preocupado acelerar o processo, sendo que ele pode ganhar o que o café pode dar a ele se fizer um trabalho bem feito. A oportunidade é oferecer produto de qualidade para mudar a frase, de ‘quanto você me paga’ para ‘quanto eu quero pelo meu produto”.
O produtor Vanderley Gonçalves, de Aracruz, também investiu em estrutura para deixar a produção convencional e ingressar no mercado de cafés de qualidade. Para ele, a Mostra abre uma nova oportunidade para divulgar o potencial alcançado pelo conilon capixaba. “A gente já trabalhava com o café convencional e decidiu investir em estrutura para produzir com mais qualidade e entrar nesse mercado de cafés de qualidade. Uma Mostra como essa dá visibilidade para quem está fazendo esse trabalho e mostra a qualidade que o Espírito Santo tem. A expectativa é que seja o começo de muitas oportunidades e de bons negócios”, afirmou Vanderley.
Responsável pela organização do cupping, o R-Grader e técnico do Incaper Douglas Gonzaga de Sousa destacou que a qualidade do conilon é resultado de uma série de fatores, que envolvem desde a colheita até o pós-colheita. Aroma, sabor e consistência estão relacionados à colheita no ponto adequado de maturação e aos processos de secagem e beneficiamento. Douglas também destacou a transformação na percepção sobre o conilon, que historicamente foi utilizado principalmente como base para blends e, nos últimos anos, vem ganhando espaço como café de qualidade, impulsionado pelo trabalho de pesquisa, assistência técnica e valorização da produção.
Para Roberto Rosa Machado, R-Grader e representante de uma trading, há espaço para o conilon de qualidade no mercado internacional. “Existe espaço para o conilon de qualidade no mercado mundial. O Brasil está caminhando nessa direção, com novas cafeterias e consumidores cada vez mais interessados em cafés diferentes, e o conilon tem tudo para avançar. O desafio agora é colocar esse café no mercado e conquistar um diferencial de preço, como já acontece com o arábica. O arábica também começou assim: divulgando, colocando os cafés no mercado e mostrando sua qualidade. À medida que o consumidor conhece e reconhece essa qualidade, ele também passa a pagar por ela”.
José Renato, representante de uma exportadora, também destacou a evolução da qualidade do conilon nas últimas safras. “Gostei demais do que vi hoje, eu tenho notado nos últimos anos que o conilon tem evoluído. Que o produtor está cada vez mais preocupado com qualidade. A gente tá vendo a cada safra que estamos produzindo cafés de boa qualidade, independente da quantidade. Na mesa aqui hoje, no cupping, ter visto essa variedade de bons cafés deixa a gente mais otimista e com ainda mais vontade das próximas safras que virão”.
Avanços e Apoio Institucional à Produção de Café Conilon
A Mostra também contou com o apoio do Sicoob, da Cooabriel e da Fecafés, instituições que atuam diretamente no fortalecimento da cafeicultura capixaba. Presidente da Cooabriel e da Fecafés, Luiz Carlos Bastianello destacou que a realização da Mostra representa um momento de evolução para o conilon.
“Essa mostra significa a evolução do conilon. Nós estamos em um momento em que o foco está voltado para a qualidade. O mundo precisa desse café, além da competitividade que já temos no mercado, nós temos que buscar qualidade”. Bastianello também ressaltou a importância de mostrar ao produtor que a qualidade pode representar retorno financeiro. “Essa Mostra é um grande atrativo para o produtor. É para ele entender que, se faz qualidade, o mercado paga por isso. Isso é um combustível para ele fazer qualidade. Ações como essa precisam continuar”.
Presidente do Sicoob, Bento Venturim destacou a importância do apoio a iniciativas que aproximam a cafeicultura de novos mercados e valorizam a produção capixaba. “Esse evento tem uma importância muito grande, porque, até então, vínhamos acompanhando principalmente concursos e mostras voltados a cafés de nicho. O cooperativismo de crédito, especialmente o Sicoob, já vem apoiando iniciativas como essa, porque reconhecemos a importância da cafeicultura para o Espírito Santo. E vamos continuar incentivando e participando, pois acreditamos no potencial do setor e na importância de fortalecer cada vez mais a cafeicultura capixaba”.
O presidente do Incaper, André Barros, destacou o papel do instituto na aproximação entre os produtores e o mercado de cafés diferenciados. “O Fine Cup tem uma importância estratégica para os produtores atendidos pelo Incaper. Aproximamos os produtores de um mercado que valoriza essa qualidade e a diferenciação e origem desse café conilon. Mantemos ações de pesquisa, assistência técnica, capacitação, avaliação sensorial voltados à melhoria dessa qualidade de todo café capixaba”.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, ressaltou a necessidade de ampliar a oferta de conilon de qualidade para atender à demanda internacional. “O Espírito Santo é o maior produtor do Brasil. Em um cenário de quatro a cinco anos, o Brasil poderá ultrapassar o Vietnã na produção de café canéfora, sob a liderança do Espírito Santo. Precisamos oferecer cada vez mais produto de qualidade e em volume para o mercado internacional”, afirma Bergoli.
Ponto de Vista
A realização da 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume marca uma virada histórica e extremamente promissora para o agronegócio do Espírito Santo. Ao demonstrar que é possível unri altíssimo padrão sensorial à capacidade de entrega em escala, o setor produtivo capixaba reafirma sua liderança e mostra que o café conilon não é apenas competitivo, mas altamente valorizado e rentável no cenário global.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Assessoria de Comunicação Seag / Governo do ES | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba


