A economia do Espírito Santo cresceu 2,2% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, consolidando uma trajetória de forte expansão no ambiente de negócios em solo capixaba. O desempenho, impulsionado por investimentos estruturantes e pelo dinamismo dos setores produtivos, foi superior ao da economia brasileira, que avançou 1,8% no período. O resultado foi alavancado principalmente pela indústria capixaba, que registrou alta de 11,2%, com destaque para a expansão da atividade extrativa, ligada diretamente à produção de petróleo, gás natural e minério de ferro.
Nota da redação: Para garantir a precisão e a sua segurança, esta matéria é revisada periodicamente pela nossa equipe. Novas informações e detalhes importantes podem ser acrescentados a qualquer momento.
Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), elaborado pelo OBSERVATÓRIO FINDES. O levantamento mostrou que o setor de serviços, formado pelos segmentos de comércio, transporte e demais serviços, também avançou no primeiro trimestre (+1,2%), na comparação com o mesmo período de 2025. Por outro lado, a agropecuária registrou queda de 11,4%. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa realizada na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), nesta quarta-feira (24), em Vitória. O presidente da FINDES, Paulo Baraona, afirma que os números confirmam a força da indústria capixaba e o papel estratégico do setor para o desenvolvimento do Estado.
Economia do Espírito Santo é alavancada pela produção de petróleo e expansão do setor de transportes
O resultado positivo do setor industrial é explicado, principalmente, pela expressiva expansão de 35% da indústria extrativa. No âmbito da economia do Espírito Santo, a atividade de energia e saneamento (+2%) e a construção civil (+1,3%) também cresceram, enquanto a indústria de transformação recuou 1,9%. Na atividade de petróleo e gás natural, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo atingiu 219,4 mil barris por dia no trimestre, uma elevação de 35,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já a produção média de gás natural no Estado alcançou 6,2 milhões de m³ por dia, um crescimento de 69,3% na mesma base de comparação.


Coletiva da Federação das Indústrias com o presidente e gerentes apresentando dados sobre os rumos da economia.
A gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES e economista-chefe da entidade, Marília Silva, explica que o aumento da produção de petróleo e gás reflete a ampliação da capacidade produtiva de campos já em operação e a recuperação do ritmo extrativo no Estado. No segmento de transportes, armazenagem e correio, o avanço foi de 2%, refletindo o aumento da demanda por transporte de cargas decorrente do avanço industrial. O comércio seguiu a rota positiva e cresceu 1,6% no período, impulsionado pelas vendas nos segmentos de móveis, eletrodomésticos, artigos farmacêuticos e materiais de construção.
A retração temporária de 11,4% na agropecuária capixaba foi influenciada pelo recuo de 11,6% na agricultura, impactada pela entressafra de culturas como milho, tomate, cana-de-açúcar e pimenta-do-reino. O café, principal cultura agrícola do Estado e que representa 62,2% da estrutura agropecuária capixaba, não afetou significativamente o período, pois sua colheita se concentra no segundo trimestre do ano.
Cenário internacional do petróleo e taxas de juros influenciam o ritmo dos investimentos capixabas
Além do aumento físico da produção, o cenário internacional influenciou o desempenho da atividade extrativa. As tensões geopolíticas no Oriente Médio provocaram forte volatilidade nos preços do petróleo, que chegaram a atingir patamares próximos de US$ 119 por barril nos momentos de maior tensão, oscilando posteriormente em torno de US$ 90 após acordos de trégua. Esse movimento impacta as exportações da commodity, mas eleva custos de combustíveis e fertilizantes, contribuindo para a aceleração do IPCA acumulado, que atingiu 4,72% em maio, ultrapassando o teto da meta de inflação.
Essa pressão inflacionária limita o ritmo de redução da taxa de juros pelo Banco Central, que reduziu a taxa Selic de 15% para 14,25% ao ano entre janeiro e junho. As expectativas apontam que a taxa deve encerrar o ano de 2026 em torno de 14% ao ano. Na construção civil, apesar dos juros elevados representarem um desafio, o mercado imobiliário de alta renda e os aportes em infraestrutura garantiram a alta de 1,3% do setor, conforme apontado pelo 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES.
A sólida performance dos indicadores macroeconômicos posiciona o território capixaba em um patamar de destaque na federação. A diversificação das matrizes industriais, associada à eficiência logística dos portos e rodovias locais, garante resiliência para enfrentar as oscilações do mercado global, convertendo riquezas naturais em desenvolvimento social e qualidade de vida para a população de todos os municípios do Estado.
Ponto de Vista
O crescimento de 2,2% da economia do Espírito Santo neste início de ano deixa claro que o nosso Estado sabe como transformar potencial em riqueza real, mesmo diante de um cenário de juros altos e inflação pressionada. Ver a nossa indústria extrativa e o setor de petróleo acelerando com tanta força prova a eficiência e a competitividade do empresariado capixaba. A grande vantagem é ver que esse desempenho supera a média nacional, demonstrando que o desenvolvimento econômico do Espírito Santo segue em frente e que a geração de empregos e oportunidades no nosso Estado não para, mantendo o crescimento a todo vapor.
Envie sua sugestão de pauta para: informecpixaba@gmail.com
Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Siumara Gonçalves e Anderson Barollo / FINDES | Foto: Rita Benezath / FINDES | Redação: Informe Capixaba


