A forte presença, a história e a rica cultura das comunidades quilombolas em território capixaba ganharão um destaque inédito na capital do estado nos dias 3 e 4 de julho. A III Feira e Exposição das Mulheres Quilombolas do Espírito Santo vai ocupar a tradicional Praça Costa Pereira, localizada no Centro de Vitória, das 9h às 21h, trazendo caravanas de diversas regiões do estado. O evento contará com uma vasta programação que inclui atrações culturais, culinária típica, agricultura familiar e artesanato ancestral produzido nos territórios tradicionais.
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A coordenação e realização do encontro estão a cargo do Julho das Pretas e do Coletivo de Mulheres Quilombolas Raízes do Sapê-Espírito Santo-Brasil. Este coletivo cumpre um papel fundamental ao reunir mulheres e lideranças de diferentes comunidades capixabas que decidiram somar forças para protagonizar ações coletivas e incidir diretamente sobre as políticas públicas de fortalecimento, proteção e regularização de seus territórios originários.
No total, a feira contará com a participação ativa de 120 expositoras vindas de 36 comunidades quilombolas, evidenciando a pluralidade e a diversidade cultural que compõem o estado. Entre as localidades confirmadas estão as icônicas comunidades do Sapê do Norte, região que abarca os municípios de Conceição da Barra e São Mateus; Santa Leopoldina, na região serrana; Anchieta e Cachoeiro de Itapemirim, na porção sul; além de Montanha e Ibiraçu, localizadas no norte capixaba. A comunidade de Ibiraçu, vale destacar, é a comunidade quilombola São Pedro, reconhecida como a única a possuir a titulação definitiva de suas terras em todo o território estadual.
Presença histórica das comunidades quilombolas se espalha pelo Espírito Santo
De acordo com os dados oficiais mais recentes levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a ancestralidade e a resistência estão mapeadas em todas as regiões capixabas. Dos 78 municípios do Espírito Santo, 26 possuem população quilombola autodeclarada, o que representa um contingente total de 15,6 mil pessoas. O mapeamento aponta que o município de menor expressão numérica é Santa Teresa, contando com o registro de apenas uma pessoa quilombola. Por outro lado, a cidade com a maior concentração populacional é São Mateus, que lidera o ranking estadual com 6,2 mil moradores quilombolas em suas terras.
Além das cidades de destaque, o IBGE aponta que há populações tradicionais quilombolas ativas residindo e produzindo nos municípios de Alegre, Divino de São Lourenço, Fundão, Guaçuí, Guarapari, Iconha, Itapemirim, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Linhares, Marataízes, Muniz Freire, Muqui, Pedro Canário, Presidente Kennedy, Sooretama, Vargem Alta e Viana. Essa distribuição geográfica reforça o impacto econômico e social que o segmento exerce no desenvolvimento do estado.
Flávia Santos, uma das principais organizadoras da feira e membra ativa da comunidade quilombola Angelim II, situada em Conceição da Barra, explica que a vinda do evento para a capital capixaba possui um caráter estritamente político e de reivindicação social. Ela ressalta que, apesar da expressiva presença da população quilombola no Espírito Santo, ainda falta um olhar mais atento e ações direcionadas por parte do poder público e das autoridades institucionais. Ao realizar a exposição no coração de Vitória, as mulheres buscam dar visibilidade ao trabalho do campo, à arte e à importância histórica de seus povos, superando a distância geográfica que muitas vezes impede que o executivo e o legislativo visitem essas comunidades.
A Praça Costa Pereira foi o cenário escolhido por sua carga histórica e por representar, tradicionalmente, o palco de grandes encontros, manifestações populares e movimentos culturais que moldaram o Espírito Santo. A iniciativa coloca as mulheres quilombolas na condição de protagonistas de suas próprias narrativas, fortalecendo a cadeia produtiva e garantindo a transmissão desses saberes para as futuras gerações de jovens capixabas.
O presidente da Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro), Walace Bonicenha, destaca que a região central sempre se caracterizou como um polo acolhedor de diferentes culturas, modos de vida e saberes tradicionais. Ele aponta que a chegada das expositoras consolida essa vocação e enriquece a identidade cultural da capital. O líder comunitário reforça ainda que a feira desempenha um papel crucial ao conectar os moradores da área urbana com a realidade da produção rural e com quem preserva as tradições vivas do estado, lembrando o ditado popular de que “se o campo não planta, a cidade não janta”.
O evento conta com uma ampla rede institucional de apoio, unindo forças da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), Prefeitura de Vitória, Comissão Quilombola do Sapê do Norte, Fase, Associação Cultura Capixaba (Cuca), Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), Secretaria de Mulheres do Estado do Espírito Santo e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Estrutura e atrações da III Feira e Exposição no Centro de Vitória
A estrutura montada para receber o público na Praça Costa Pereira contará com estandes diversificados, operando continuamente das 9h às 21h nos dois dias de evento. Os visitantes que passarem pelo Centro de Vitória encontrarão uma mostra gastronômica completa da culinária quilombola, produtos frescos e processados originários diretamente da agricultura familiar, além de peças exclusivas de artesanato, confecções e artes visuais criadas pelas artesãs de 36 comunidades.
A programação artística promete movimentar o Centro de Vitória com exibições de danças tradicionais, folclore regional e apresentações musicais de artistas locais que resgatam as raízes sonoras do povo negro capixaba. Pensando no conforto e na integração das famílias, a organização do Julho das Pretas preparou também um espaço recreativo infantil, onde as crianças poderão participar de atividades lúdicas e educativas sobre a história afro-brasileira enquanto os pais realizam suas compras e prestigiam o evento.
Ponto de Vista
Visitar a Feira das Mulheres Quilombolas na Praça Costa Pereira é uma oportunidade única de fortalecer a economia dos territórios tradicionais e valorizar quem realmente mantém viva a nossa história capixaba. O Centro de Vitória vai se transformar em um caldeirão de cultura, sabores e resistência que merece o prestígio de todos nós. Que tal se programar para valorizar essas 120 expositoras e garantir produtos únicos e de alta qualidade para a sua casa? Prestigiar o protagonismo dessas mulheres é apoiar o desenvolvimento do nosso Espírito Santo!
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Elaine Dal Gobbo / Coletivo Raízes do Sapê | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba


