A indústria do Espírito Santo manteve o ritmo acelerado de crescimento em 2026 e voltou a se destacar no cenário nacional. No primeiro trimestre do ano, a produção da economia avançou 22,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, registrando o segundo maior crescimento do país, atrás apenas de Pernambuco (+29,6). O resultado ficou muito acima da média nacional, que avançou apenas 1,3% no período.
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Os dados são da Pesquisa Mensal (PIM-PF), divulgada pelo IBGE e compilada pelo OBSERVATÓRIO FINDES, e mostram que os registrou alta de 22,5% apenas no mês de março, acumulando dez meses consecutivos de expansão com dois dígitos. O desempenho no primeiro trimestre foi impulsionado, principalmente, pela economia extrativa, que avançou 36,2% no período, refletindo o aumento da produção de petróleo, gás natural e de minério de ferro pelotizado . Já na indústria de transformação, a fabricação de produtos não-metálicos (2,3%) e a metalurgia (+1,0%) foram as responsáveis pelo resultado positivo do setor.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, os números reforçam a consistência do crescimento e o protagonismo do Estado no cenário nacional. “O Espírito Santo encerrou 2025 na liderança do crescimento do país e segue mantendo esse ritmo em 2026. A indústria extrativa continua sendo um pilar estratégico desse desempenho, consolidando o Estado como um dos principais polos industriais e energéticos do Brasil”, destaca. Baraona também ressalta que o desempenho evidencia o potencial competitivo do território capixaba, mas reforça que é fundamental avançar na infraestrutura para sustentar esse ciclo de crescimento.
A produção de petróleo e gás natural foi o principal destaque para o início deste ano. Segundo a ANP, em março, a produção de petróleo alcançou 268,1 mil barris por dia, o maior volume desde 2020. No acumulado dos três primeiros meses, a produção de petróleo cresceu 35,9%, enquanto a de gás natural avançou 69,3%. O gerente do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr, explica que as operações no campo de Jubarte e o início da produção no campo de Wahoo foram determinantes para fortalecer o papel estratégico da economia . Esse movimento refletiu a recuperação do FPSO Maria Quitéria, que alcançou 64,7% de seu potencial produtivo em março.
No setor de mineração, a atividade de pelotização também apresentou desempenho positivo. A produção de pelotas da Vale no Espírito Santo cresceu 35,1%, totalizando 5 milhões de toneladas. Já a Samarco produziu 3,8 milhões de toneladas, alta de 18% frente a 2025. Esse vigor refletiu diretamente nas exportações: os embarques de minério de ferro somaram US$ 761,9 milhões no trimestre, com destinos principais como Egito, Coreia do Sul e Argentina.
Mesmo diante de um cenário econômico adverso, marcado por tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Israel e Irã, ao comercio seguiu gerando resultados positivos. O aumento dos preços internacionais do petróleo elevou incertezas sobre inflação e juros, mas o Espírito Santo criou 12.814 empregos formais no trimestre, com destaque para os setores de serviços . A economista-chefe da FINDES, Marília Silva, alerta que, embora a atividade extrativa sustente os números, os custos logísticos e de insumos tendem a pressionar a cadeia produtiva, desafiando a competitividade do comercio indústrial capixaba nos próximos meses.
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Ponto de Vista: O crescimento de dois dígitos na produção industrial coloca o Espírito Santo em uma vitrine privilegiada. Manter esse ritmo exige foco total em infraestrutura e inovação para proteger o comercio industrial capixaba das oscilações do mercado externo.
Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Anderson Barollo com informações do OBSERVATÓRIO FINDES | Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras | Redação: Informe Capixaba
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