A Integridade da Informação sobre Mudança do Clima ganhou um reforço diplomático e global de peso com o anúncio oficial do governo australiano, na última terça-feira (21/07), confirmando sua adesão à Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima. O anúncio histórico ocorreu durante um importante encontro de ministros do Pacífico em Sidney, na Austrália, organizado para debater as prioridades comuns daquela região em matéria de clima e transição energética, já em ritmo acelerado de preparação para a COP31 da Convenção de Clima da ONU.
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Em artigo oficial publicado em sua página institucional, o Departamento de Clima, Energia, Ambiente e Água australiano afirmou categoricamente que “a Austrália e as nações do Pacífico partilham o compromisso de melhorar o acesso à informação confiável. Isto ajuda as pessoas mais afetadas pelas alterações climáticas a partilharem as suas experiências e a serem ouvidas.” A declaração reforça o protagonismo de uma agenda global focada em combater o negacionismo, a desinformação e a proliferação de notícias falsas sobre o meio ambiente.
Lançada originalmente em novembro de 2024, durante a marcante presidência brasileira do G20, a Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima é copresidida pelo Brasil, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela UNESCO. Atualmente, o grupo conta com 16 países membros de grande relevância internacional: Alemanha, Austrália, Brasil, Bélgica, Canadá, Chile, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Marrocos, Países Baixos, Peru, Reino Unido, Suécia e Uruguai.
Mudança do clima exige ações globais para a integridade da informação
A Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima tem como objetivo central estabelecer uma ampla e sólida coalizão de países, organizações internacionais e entidades da sociedade civil organizada para promover de forma prioritária o tema da integridade da informação na agenda internacional. O projeto busca fomentar pesquisas científicas e aplicadas sobre o impacto direto da informação na ação climática, sobretudo com olhar atento voltado para o Sul Global, além de apoiar a elaboração e a implementação de respostas estratégicas às ameaças contra a verdade científica e contribuir diretamente para o fortalecimento de estratégias e campanhas de comunicação sobre a mudança do clima.
A Austrália aderiu, igualmente, à Declaração sobre a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, lançada na COP30, documento que já conta com a assinatura formal de 27 países e de toda a União Europeia. A Declaração traz um conjunto de compromissos voluntários para os governos subscritos, bem como chamadas de ação direcionadas a outros atores da sociedade civil, buscando reforçar a pesquisa sobre integridade da informação e mudança do clima, a promoção e a sustentabilidade do jornalismo ambiental qualificado, a proteção integral de comunicadores e cientistas, e o avanço da cooperação e capacitação internacional.
A COP30 da Convenção de Clima (realizada em Belém, de 9 a 21/11/25) recognized expressamente a integridade da informação como um elemento central para a ação climática em um texto de decisão histórica (a Declaração Mutirão), bem como na sua Agenda de Ação e nos debates estratégicos sobre Ação para o Empoderamento Climático. A adesão oficial da Austrália à Iniciativa dá continuidade direta ao movimento de crescente reconhecimento da extrema relevância e urgência desse tema no mundo.

A próxima COP31 da Convenção de Clima da ONU ocorrerá em Antalya, na Turquia, de 9 a 20/11/2026, sob a inédita presidência compartilhada entre a Austrália e a Turquia. A Iniciativa Global estará amplamente representada na COP31, promovendo uma série de eventos com países e organizações parceiras para conscientizar a população global sobre o tema e divulgar os resultados práticos de seu trabalho ao longo de todo o ano de 2026.
Metas globais e o avanço da Integridade da Informação sobre Mudança do Clima até a COP31
Entre as entregas programadas para 2026, destacam-se a conclusão de dez projetos financiados pelo seu Fundo internacional ao redor do mundo; o lançamento de um mapeamento completo de políticas e marcos legais nacionais sobre integridade da informação e clima; e a publicação de uma carta de princípios voltada para a publicidade responsável em termos de mudança do clima, além de documentos técnicos desenvolvidos pela sociedade civil brasileira no âmbito da Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.
Outro objetivo estratégico de longo prazo é incluir de forma definitiva o tema da integridade da informação em atividades do novo plano de trabalho em negociação sobre Ação para o Empoderamento Climático, focado no acesso à informação pública, na participação cidadã qualificada e na educação climática em âmbito internacional.
Ponto de Vista:
A adesão da Austrália à iniciativa liderada pelo Brasil e pela ONU consolida o combate à desinformação como uma pauta de estado e de sobrevivência global.
Em tempos em que a emergência climática exige respostas rápidas e baseadas em dados reais, proteger o jornalismo ambiental, respaldar os cientistas e garantir acesso público a fatos comprovados é o único caminho para engajar a sociedade e assegurar decisões políticas transparentes em favor do planeta.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: dcceew.gov.au/ Ministério da Gestão | Foto: Divulgação Internet/ Canva| Redação: Informe Capixaba


