Agronegócio no Espírito Santo entra em alerta máximo com a nova política comercial anunciada pelo governo dos Estados Unidos, que estabeleceu uma tarifa adicional de 12,5% sobre diversos produtos originários do Brasil. A medida econômica abrange 60 economias globais e passou a vigorar nesta sexta-feira. No entanto, por ser uma taxa independente da sobretaxa de 25% aplicada anteriormente, o setor capixaba liga o sinal amarelo, já que mercadorias que ficaram de fora das listas de exceção oficiais podem acumular uma cobrança astronômica de até 37,5 pontos percentuais ao entrarem no mercado norte-americano.
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O impacto da decisão divide os setores produtivos do Estado. De um lado, a pauta exportadora capixaba conseguiu blindar produtos pilares da sua economia, como todo o complexo cafeeiro (verde, torrado, descafeinado e solúvel), pimenta-do-reino, gengibre, mamão, carne bovina e celulose. Essas cadeias estratégicas garantiram isenção nas duas rodadas de sobretaxas norte-americanas, mantendo a competitividade, o fluxo financeiro no campo, os empregos diretos e a forte movimentação de divisas para o comércio internacional do Espírito Santo.
Por outro lado, setores como a avicultura de corte e postura e a cadeia de pescados ficaram desprotegidos e passam a enfrentar barreiras severas. A carne de frango e os ovos não foram incluídos nas listas de proteção e agora acumulam a soma total de 37,5% em tarifas. No segmento da pesca, alguns códigos até tiveram alívio na taxa anterior de 25%, mas acabaram atingidos pela nova alíquota de 12,5%, o que eleva exponencialmente os custos logísticos e de importação nos portos dos EUA.
Agronegócio capixaba monitora impactos e busca diplomacia contra tarifas dos EUA
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, ressalta que, embora a preservação das commodities mais fortes traga um importante respiro financeiro ao agronegócio, o avanço das barreiras protecionistas gera grande insegurança jurídica e comercial para os produtores locais. A apreensão é contínua, pois a sobretaxação sobre o frango, ovos e pescados pode travar novos investimentos, afetar contratos vigentes e ameaçar postos de trabalho no interior capixaba.
A gestão estadual reforça que é fundamental que o Governo Federal atue com velocidade através dos canais diplomáticos e de negociação comercial para revisar os termos da cobrança internacional. O objetivo do diálogo direto com Washington é estender a lista de exceções às cadeias produtivas prejudicadas. Barreiras alfandegárias desse porte criam volatilidade no mercado e exigem respostas firmes da diplomacia brasileira para proteger a renda dos trabalhadores rurais e a força das agroindústrias capixabas.
A instabilidade no comércio exterior começou em 2025, quando Washington adotou uma postura protecionista e impôs tarifas globais. Após contestação e decisões da Justiça norte-americana, a Casa Branca reformulou sua estratégia e passou a amparar suas retaliações na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos, focando em investigações formais e alegações sobre políticas de trabalho. Essa volatilidade constante exige que o exportador capixaba invista cada vez mais em inteligência de mercado e planejamento financeiro robusto.
A instabilidade tarifária internacional reforça a urgência de acelerar a diversificação de mercados para o agronegócio capixaba. Depender excessivamente de poucas nações expõe a produção do Espírito Santo a mudanças bruscas de políticas externas e a reviravoltas geopolíticas. Abrir novas frotas de exportação para a Ásia, Oriente Médio e Europa surge como a alternativa mais segura para garantir a estabilidade das agroindústrias e proteger a margem de lucro do produtor rural contra flutuações e taxas abusivas.
Agronegócio exige inteligência comercial para superar barreiras no mercado norte-americano
Especialistas em dados e análise do setor agrícola explicam que o principal efeito colateral dessa guerra tarifária é o aumento drástico da incerteza para exportadores, importadores e produtores. Mudanças frequentes nas alíquotas, prazos de vigência e revisões repentinas de listas exigem agilidade e capacidade de adaptação imediata por parte do empresariado do agronegócio.
Para que as empresas e cooperativas capixabas mantenham sua competitividade global, será indispensável buscar novos mercados consumidores alternativos fora da zona de influência das tarifas americanas, garantindo o escoamento contínuo da safra e a preservação do valor agregado dos produtos capixabas.
Ponto de Vista:
A proteção obtida para o café, celulose e pimenta-do-reino comprova a força e a excelência indiscutível do agronegócio capixaba no cenário internacional.
No entanto, não podemos deixar à própria sorte os setores de avicultura e pesca, que geram milhares de empregos essenciais no interior do Espírito Santo.
O momento exige união do governo estadual e federal em uma ofensiva diplomática firme, aliada à busca urgente de novos mercados globais para que os nossos produtores não fiquem reféns das arbitrariedades comerciais do mercado norte-americano.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Seag / Governo do ES | Foto: Divulgação Claudio Neves | Redação: Informe Capixaba


