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Leitura: DNA e planos de saúde: a nova roleta russa algorítmica 
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Informe Capixaba > Blog > Colunistas > DNA e planos de saúde: a nova roleta russa algorítmica 
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DNA e planos de saúde: a nova roleta russa algorítmica 

Última Atualização 10 de fevereiro de 2026 23:07
6 min de leitura
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O uso de dados genéticos e inteligência artificial desafia o setor de saúde

Régis de Oliveira Júnior, jornalista formado pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e especialista em inteligência artificial pela ESPM Tech São Paulo.

O preço do plano de saúde deixou de ser apenas um problema econômico. Ele se tornou uma decisão algorítmica. Em 2026, operadoras acumulam prejuízos e famílias enfrentam reajustes agressivos. A Inteligência Artificial (IA) já interfere, de forma silenciosa, no acesso ao cuidado.

Sem regras claras, o mesmo sistema que antecipa a cura pode se transformar em um filtro de exclusão. Imagine uma mulher de 35 anos que realiza um teste genético preventivo. O resultado indica alta predisposição ao câncer de mama associado ao gene BRCA.

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O algoritmo entra em ação e um protocolo de monitoramento precoce é acionado. O tumor é identificado antes de se tornar agressivo. A quimioterapia é evitada e o sofrimento diminui. O custo do tratamento cai de forma expressiva. A tecnologia cumpre sua promessa.

No ano seguinte, essa mesma mulher tenta trocar de plano ou renegociar o contrato. Não há negativa formal, mas surge o que o mercado chama de seleção de risco automatizada. Ocorre um reajuste 40% acima da média ou uma proposta que nunca se concretiza.

Um silêncio administrativo empurra a decisão para fora do sistema. O risco deixa de ser clínico e passa a ser financeiro. O algoritmo deixa de proteger e passa a barrar. Esse dilema já se manifesta no Brasil.

Instituições de excelência utilizam a IA e dados genéticos com foco em prevenção e ética. O Hospital Israelita Albert Einstein opera o programa Predicta. Ele analisa riscos de até 22 tipos de câncer e 12 doenças cardiovasculares com sequenciamento genético.

A posição institucional é pública. A IA amplia a capacidade médica e não substitui o julgamento clínico. O Hospital Sírio-Libanês desenvolveu a Sofya, uma ferramenta de IA de raciocínio clínico.

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Ela é voltada à organização de dados populacionais e à antecipação de tendências de saúde. A tecnologia atua como apoio para decisões e não como instrumento de exclusão. No Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital de Amor utiliza a IA.

O laboratório acompanha a jornada de pacientes oncológicos no sistema público. Agentes inteligentes ajudam a reduzir reinternações e organizar fluxos. A IA também serve ao interesse público quando existe governança.

A tecnologia não é um luxo privado. Em 2026, o Brasil inicia a implantação de uma rede nacional de hospitais inteligentes no SUS. O uso de IA acelera diagnósticos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e câncer.

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O debate é nacional e não se limita a quem possui plano de saúde. O conflito surge quando essa eficiência encontra um setor pressionado. A saúde suplementar vive uma crise estrutural.

No primeiro semestre de 2025, a provisão para atendimentos atingiu R$ 28,6 bilhões. O dado é da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O envelhecimento populacional acelera a pressão financeira.

Estudos indicam que a população idosa dobrará em 25 anos no Brasil. Isso elevará a despesa por pessoa em pelo menos 11% na próxima década. Grandes operadoras ampliaram o uso de IA e biometria facial.

O objetivo é combater fraudes e tentar conter a taxa de uso e custos, conhecida como sinistralidade. Não se trata de vilania, mas de sobrevivência econômica. O risco está na ausência de limites claros.

Sem regulação, a lógica de eficiência pode deslocar o sistema do cuidado coletivo para a triagem de riscos individuais. Quando a seleção automatizada opera sem explicação, a eficiência vira poder em vez de cuidado.

É aqui que a regulação precisa avançar. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reconhece a sensibilidade extrema das informações genéticas. O Projeto de Lei nº 2.338/23 estrutura o Marco Legal da Inteligência Artificial.

Em 2026, esse projeto consolida o direito à explicação. O cidadão exige saber por que foi classificado, reajustado ou recusado. Esse direito precisa se materializar na saúde suplementar.

A ausência de normas complementares da ANS mantém um vácuo perigoso. Algoritmos influenciam decisões financeiras e contratuais sem transparência efetiva. O beneficiário sente o impacto, mas não enxerga o critério.

A solução não é proibir a tecnologia, mas governá-la. Ambientes de teste controlados na ANS permitiriam avaliar sistemas de IA sob supervisão. Seria possível analisar preconceitos e impactos sociais antes da adoção em massa.

A capacidade de auditoria e explicação precisa ser uma exigência legal. O impacto social já é visível. Seis em cada dez brasileiros com planos de coparticipação hesitam em buscar atendimento por medo do custo.

E-mail: regisojr@gmail.com 

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/regisojr/ 

Instagram: https://www.instagram.com/regisojr/

por: Régis de Oliveira Júnior / Imagem IA Gemini

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