Celebrado nesta terça-feira, 25 de agosto, o Dia do Soldado vai além das homenagens aos profissionais que atuam na proteção da sociedade e abre espaço para um debate urgente sobre os impactos da carreira militar na saúde física e emocional de policiais e bombeiros. A rotina marcada por situações de risco, alta pressão, jornadas exigentes e poucas horas de descanso traz consequências profundas que nem sempre são percebidas de imediato. Os reflexos dessa profissão acompanham os profissionais inclusive após a passagem para a reserva.
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Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que mais de 12,5 mil policiais civis e militares brasileiros foram afastados de suas funções por adoecimento psíquico em levantamentos recentes. No Espírito Santo, um estudo divulgado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) trouxe números alarmantes sobre a saúde física dos profissionais capixabas. A pesquisa apontou que 53,2% dos policiais da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) apresentaram hipertensão arterial, mesmo em um grupo composto predominantemente por militares jovens e fisicamente ativos.
Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo da Ufes, fatores como o estresse contínuo da atividade policial e a privação crônica de sono ajudam a explicar a alta incidência de problemas cardiovasculares. A rotina ostensiva e o alerta constante mantêm o organismo sob estresse prolongado, o que afeta diretamente o sistema circulatório e a qualidade de vida.
Saude Militar Exige Cuidados com a Rotina de Estresse no ES

Para o presidente da Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas do Estado do Espírito Santo (Aspomires), Capitão Guilherme Thompson, discutir este tema exige um olhar atento e integral, especialmente para o período posterior à vida profissional na ativa.
“A carreira militar exige muito do ser humano. São anos convivendo com situações de risco, alta responsabilidade, jornadas desgastantes e uma carga emocional que, muitas vezes, continua presente mesmo depois que a farda é guardada. É preciso olhar para a saúde desses profissionais de forma integral”, ressalta o Capitão Guilherme Thompson.
Desafios na Reserva e a Importância da Rede de Apoio
A transição para a reserva representa uma mudança brusca e significativa no cotidiano de muitos militares. Após décadas de convivência diária com a tropa e de uma rotina totalmente estruturada em torno do dever, o afastamento da atividade operacional pode trazer novos desafios emocionais e sociais, que tendem a se intensificar com o processo de envelhecimento.
“Os desafios não acabam quando o militar passa para a reserva. Em muitos casos, permanecem como reflexos da própria profissão. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença nesse momento”, destaca o presidente da Aspomires. Além de atuar na defesa institucional e nos direitos da categoria, a associação capixaba oferece suporte social, jurídico e médico aos associados, estimulando momentos de convivência, lazer e reintegração.
Para a liderança da entidade, o Dia do Soldado deve ser utilizado como um marco anual de conscientização para ampliar as políticas públicas e o cuidado permanente com os homens e mulheres que dedicam suas vidas à segurança do Espírito Santo.
Ponto de vista:
O Dia do Soldado é uma data de orgulho para o nosso Estado, mas precisa vir acompanhado de uma reflexão profunda sobre o custo humano cobrado daqueles que nos protegem. O estudo da Ufes com o BME escancara que a farda não torna o profissional imune ao estresse nem à exaustão física. Cuidar da saúde mental, cardiovascular e do bem-estar dos nossos policiais e bombeiros — da ativa e da reserva — é um dever moral e uma medida urgente para garantir dignidade a quem arrisca a própria vida pela sociedade capixaba.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Aspomires / Ufes | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba


