Gás natural na secagem do café aponta caminhos para uma nova etapa de inovação na cafeicultura capixaba. Os primeiros dados de um projeto-piloto foram apresentados durante o Vitória Coffee Summit 2026, no Cais das Artes, em Vitória, em comemoração aos 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). O evento internacional reuniu representantes do Brasil, Vietnã, Estados Unidos e Colômbia para discutir os desafios e as transformações do mercado cafeeiro.
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A palestra sobre a iniciativa reuniu Sandro Rodrigues, secretário-executivo do CCCV; Aristides Tabosa, diretor de Operações de Café Verde da JDE Peet’s; Eduardo Bortolini, produtor da Fazenda Chapadão, em Linhares, onde os testes são realizados; e Fábio Lancelotti, diretor técnico e comercial da ES Gás. As ações foram desenvolvidas pela ES Gás em parceria com o CCCV, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base 27, sob acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). As pesquisas começaram na safra de conilon deste ano em condições reais de produção.
Com investimento de pouco mais de R$ 1 milhão e duração de 12 meses, a pesquisa compara três secadores alimentados por combustível gasoso com outros três movidos a lenha. Entre maio e agosto, foram avaliadas cerca de 9.400 sacas de café, monitorando temperatura, consumo, tempo de secagem, grau de maturação dos grãos e análises sensoriais. A proposta busca uma alternativa ao modelo tradicional a lenha, que exige abastecimento manual contínuo, logística complexa e riscos ergonômicos para os trabalhadores. No ensaio, o insumo é levado até a propriedade rural por transporte terrestre em carreta.
Gás Natural na Secagem do Café Garante Maior Rendimento e Reduz Notas de Fumaça
Nos testes de campo, o processo na faixa de 120°C a 140°C gerou um rendimento de 39,73 sacas de café seco, enquanto o sistema a lenha (operado entre 150°C e 250°C) alcançou 38,15 sacas. Essa diferença representa um ganho potencial de produtividade de 4,15% — o equivalente a 415 sacas adicionais em uma safra de 10 mil sacas. Além disso, a faixa de temperatura entre 120°C e 160°C apresentou os menores níveis de consumo, com tempo de processamento de 13 a 17 horas e média de 13,76 m³ por saca, evitando perdas de até 1,6 saca por batelada.
Avanços Sensoriais e Sustentabilidade na Cafeicultura Capixaba
Nas análises de laboratório conduzidas pela JDE Peet’s, a incidência de notas de fumaça nos grãos caiu de 27% no sistema tradicional para apenas 1% nas amostras processadas com a nova tecnologia. Ao todo, 93% das amostras atingiram perfil sensorial classificado como “Neutro” ou superior, com 51% alcançando os patamares Neutro+ e Neutro++, resultando em uma bebida mais limpa e com características originais preservadas.
Para o produtor Eduardo Bortolini, da Fazenda Chapadão, embora a tecnologia exija um investimento inicial mais elevado, o avanço é indispensável para modernizar o setor. Os parceiros do projeto pretendem expandir os testes para outros municípios do entorno de Linhares e São Mateus, além de mapear com a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) os secadores localizados próximos à rede de distribuição.
O Vitória Coffee Summit 2026 contou com patrocínio master do Sicoob; patrocínio da JDE Peet’s, Via Ford, ES Gás, Login, Unicafe, Imetame Logística Porto, Grupo Tristão, Nicchio Café, Nicchio Sobrinho Café, Nicoli, Pole Coffee Exportação e Importação, TPJ, Volcafé, SafraLab e Bergi Advocacia. O evento teve apoio institucional da Abic, Abics, Cecafe, Conselho Nacional do Café, Fecomércio-ES e BSCA, sob realização do CCCV.
Ponto de vista:
A introdução de tecnologias sustentáveis no processo de pós-colheita representa um marco histórico para o agronegócio do Espírito Santo. Ao aliar preservação ambiental, ganho real de produtividade e elevação do padrão sensorial do conilon capixaba, o projeto-piloto mostra que o nosso Estado continua na vanguarda da cafeicultura mundial. Trata-se de um investimento estratégico que fortalece a produção regional, agrega valor ao produto no mercado internacional e garante melhores condições de trabalho no campo.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Mônica Moreira / Lucas Rezende | Foto: Fabrício Saiter / Divulgação | Redação: Informe Capixaba


