Pela primeira vez no Brasil, um cafeicultor secou parte de sua safra utilizando gás natural em substituição à tradicional lenha. O teste pioneiro foi realizado na Fazenda Chapadão, localizada no município de Linhares, no Norte do Espírito Santo, durante a colheita do café conilon deste ano. A iniciativa integra um projeto-piloto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) focado em avaliar a eficiência do gás no processo de secagem dos grãos, transformando a matriz energética aplicada nas propriedades rurais capixabas. A novidade e os dados preliminares serão apresentados oficialmente durante o Vitória Coffee Summit 2026, agendado para os dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória.
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Sustentabilidade e controle térmico com gás natural na secagem do café
As ações são desenvolvidas pela distribuidora ES Gás em parceria direta com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), a multinacional JDE Peet’s e o hub de inovação Base 27, contando com a aprovação e o acompanhamento técnico da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). As pesquisas começaram em condições reais de produção no campo, na propriedade do produtor rural Eduardo Bortolini, permitindo o monitoramento detalhado do desempenho operacional do combustível na rotina da fazenda.
A etapa da secagem é considerada um dos momentos mais críticos e decisivos para determinar a qualidade final e o valor de mercado do café. Realizada historicamente por meio da queima de lenha e de outras biomassas, essa fase influencia de forma direta a uniformidade do lote, a padronização dos grãos e a preservação das características sensoriais da bebida. Por outro lado, a prática tradicional impõe desafios ambientais e sociais relevantes, como o consumo intensivo de recursos florestais e a geração de fumaça ao longo de cerca de cem dias contínuos de operação dos secadores.
A proposta central do estudo é comprovar se o gás natural pode se consolidar como uma alternativa mais limpa, eficiente e viável. Entre as principais vantagens investigadas estão o maior controle de temperatura, a estabilidade na emissão de calor, a redução drástica nas emissões de carbono e o menor impacto nas comunidades vizinhas. Além dos aspectos operacionais, o projeto analisa a viabilidade econômico-financeira e regulatória da tecnologia, visando produzir conhecimento científico para embasar a expansão do modelo para outras regiões cafeeiras do País nos próximos ciclos produtivos.
O projeto está totalmente alinhado ao Plano de Descarbonização do Governo do Estado do Espírito Santo e acompanha a tendência global de exigência por práticas agrícolas sustentáveis. O território capixaba já é reconhecido mundialmente por sua elevada produtividade e liderança na produção de café conilon, combinando tecnologia no campo e infraestrutura logística estratégica voltada para a exportação.
Parcerias e expectativas do projeto de gás natural na secagem do café
Segundo o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Fabrício Tristão, a pesquisa representa um passo estratégico fundamental para agregar valor ao produto capixaba. Ele destaca que a busca por qualidade e sustentabilidade é indispensável para alcançar os mercados consumidores mais exigentes do mundo. O curador técnico do Vitória Coffee Summit 2026, Marcus Magalhães, ressalta que o evento servirá para posicionar o Espírito Santo como um verdadeiro laboratório global de inovação e soluções sustentáveis para o agronegócio.
O estudo de longo prazo envolve o processamento de milhares de dados coletados na primeira fase, que passam agora por validação pelas instituições parceiras. A expectativa do setor é que a tecnologia contribua para elevar o patamar de competitividade do café brasileiro no cenário internacional, mostrando a força da cooperação entre academia, empresas e produtores locais.
O Vitória Coffee Summit 2026 marcará também a comemoração dos 80 anos do CCCV, reunindo produtores, exportadores, cooperativas, indústrias e lideranças empresariais. Entre os palestrantes internacionais confirmados estão Francisco Gómez (presidente da Unidade de Negócios de Café e Bebidas do Grupo Nutresa), Nguyen Nam Hai (presidente da Vietnam Coffee-Cocoa Association – VICOFA), Tina Cação (diretora de Vendas da JDE Peet’s Brasil), o ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera e Bill Murray, presidente da National Coffee Association (NCA) dos Estados Unidos.
O encontro abordará as transformações do mercado global, os impactos das mudanças climáticas, a transição energética e a ascensão do café como item estratégico da economia global. O evento conta com o patrocínio master do Sicoob, além do apoio de diversas instituições e empresas do setor.
Ponto de Vista
A aplicação experimental do gás natural na secagem do café reforça a posição de vanguarda do agronegócio capixaba no cenário mundial.
Essa união entre tecnologia, sustentabilidade ambiental e pesquisa científica demonstra que o Espírito Santo não apenas produz com alta qualidade, mas também lidera a busca por soluções inovadoras que garantem a descarbonização e o futuro da cafeicultura.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Mônica Moreira / Lucas Rezende | Foto: Vitória Coffee Summit / Freepik / Divulgação | Redação: Informe Capixaba


