Com apresentações nos dias 11, 12, 13 e 14 de junho, na Casa da Música Sônia Cabral, “Suspender o Céu” reivindica a desaceleração do tempo para sentir a vida. Em “Suspender o Céu”, a dança, as artes visuais, a iluminação cênica e as paisagens sonoras apresentam imagens, memórias e movimentos sobre os sintomas da exaustão e do trabalho excessivo, bem como a cura e a libertação na desaceleração do tempo e no estado de presença.
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Espetáculo inédito estreia na Casa da Música Sônia Cabral com entrada gratuita
O espetáculo estreia no Espírito Santo, entre os dias 11, 12 e 13, às 20h, e no dia 14 de junho, às 19h30, na Casa da Música Sônia Cabral, em Vitória (ES). A apresentação é gratuita e a retirada de ingressos deve ser realizada 1h antes do evento, na bilheteria do local. A programação envolve, ainda, Ensaio Aberto na Fafi, no dia 06 de junho, às 19h; a Oficina Tecnologias de Suspensão, no dia 13 de junho, das 08h às 12h, na Fafi, além de apresentações para alunos da Rede Pública de ensino do estado, nos dias 16 e 17 de junho.
A montagem articula dança, performance, artes visuais, iluminação e direção sonora, compondo uma paisagem sensorial que questiona as lógicas de produção, trabalho, aceleração do tempo, exaustão física e mental. A apresentação atravessa, de maneira intensa e poética, as questões de saúde mental e física impactadas pela lógica produtivista, perpassando sintomas como ansiedade, burnout e depressão.
A partir daí, a obra reivindica a cura e a libertação do corpo, da mente e da vida com estratégias de suspensão, de desaceleração e defesa dos afetos. Por meio da presença e da pausa para sentir a vida, o espetáculo aciona novas formas de existência, que devolvem ao corpo a quietude, a qualidade e a continuidade da vida, para além da mera sobrevivência e utilidade.
Elementos cênicos e conceitos filosóficos fundamentam a narrativa do projeto
Para além da performance, as artes visuais, o cenário, a iluminação, a direção sonora, a filosofia e a psicanálise são elementos fundamentais na encenação, que traz as metáforas da dominação da terra, da queda e da suspensão de céu como experiências simbólicas das questões abordadas, envolvidas em um cenário composto por 100 kg de terra, 40 metros de tecidos, cordas de sisal, ganchos e cargas.
“Na lógica produtivista, o céu cai sobre nós de formas sutis, invisíveis e silenciosas, com demandas diárias que nos levam à exaustão, e tudo isso é aceitável porque é trabalho. A ideia de suspender o céu simboliza a ruptura intensa, o momento em que chegamos à extrema exaustação e precisamos buscar psiquiatras, práticas holísticas e espirituais, para aprender a parar um corpo que foi condicionado à velocidade.
É um processo muito complexo, que dá muito mais trabalho do que adotar práticas de quietude, afeto e pausas no dia a dia. Quando passei por isso, no meu processo de adoecimento, me comprometi a dançar sobre essa questão. A oposição entre trabalho e emocional naturalizada em nossa sociedade nos leva a tratar o afeto e a desaceleração como ações inúteis”, descreve Farley.
Trajetória dos artistas e parcerias institucionais na realização cultural
Com criação e atuação do bailarino e multiartista do Espírito Santo, Farley José, contando com direção cênica e coreografia do artista, psicanalista e pesquisador do Rio Grande do Norte, Alexandre Américo, “Suspender o Céu” surgiu a partir de 2022. Nesse período, Farley atravessou episódios de ansiedade, burnout e depressão, a partir de uma rotina excessiva de trabalho e de questões pessoais que o levaram a repensar os sentidos da própria vida. Após passar por afastamento do mercado de trabalho, tratamentos psiquiátricos e reinvenção da própria rotina, Farley transformou sua experiência neste espetáculo, transpondo na criação cênica e na performance as suas estratégias e processos de cura.
No processo de pesquisa, o espetáculo foi inspirado em conceitos de Ailton Krenak, nas obras “Ideias para adiar o fim do mundo” e “A vida não é útil”, nas ideias do “tempo espiralar” de Leda Maria Martins, nas reflexões do filósofo Henri Bergson, bem como na premissa da filósofa Viviane Mosé, além de conceitos da psicanalista Melanie Klein. No contexto da dança, a coreografia se baseia em referências como o conceito de “scores” de Meg Stuart, investigando diversos estados físicos e emocionais do corpo.
Farley José é dançarino desde os 5 anos de idade, formado em Desenho Industrial pela UFES. Integrou companhias como Cia K de Dança Contemporânea e Reverence Cia de Dança. Entre seus trabalhos de destaque está a videodança “TERRA SANTA”, premiada pelo Edital Rumos Itaú Cultural.
A criação da obra foi desenvolvida em parceria com o coreógrafo Alexandre Américo, doutorando em Educação pela UFRN e mestre em Artes Cênicas, cuja prática em arte contemporânea possui enfoque na diferença e nas dramaturgias contra-coloniais. “Suspender o Céu” é realizado por Farley José e pela Secretaria da Cultura do Espírito Santo, através do Edital 10/2024 – Seleção de Projetos de Artes Cênicas, com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com parcerias da Escola Técnica de Teatro, Dança e Música – FAFI e da Casa da Música Sônia Cabral.
Ponto de Vista: A estreia do espetáculo "Suspender o Céu" na Casa da Música Sônia Cabral traz ao centro do debate capixaba uma reflexão artística urgente sobre a saúde mental e os limites do corpo na sociedade contemporânea. Ao transformar vivências reais de adoecimento em poesia, dança e artes visuais, o projeto cumpre uma função social indispensável, utilizando o palco público como espaço de acolhimento, cura coletiva e conscientização sobre os impactos severos da ansiedade e do esgotamento no cotidiano atual.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Lais Rocio – Fôlego Comunicação Cultural | Foto: Bernardo Firme / Divulgação | Redação: Informe Capixaba | Suporte: IA


