A cultura dos imigrantes , suas história, costumes e as ricas tradições dos colonizadores ganham um novo fôlego e seguem muito vivos no sul do Estado graças a um importante trabalho científico. O pesquisador alfredense Gabriel Pietralonga Marion, professor de História e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), vem dedicando sua trajetória ao registro e salvaguarda da memória, garantindo o resgate da cultura dos imigrantes italianos em Alfredo Chaves.
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Lazer tradicional, jogo da mora e bocha no interior capixaba
Atualmente atuando como professor efetivo na Escola Estadual EEEFM Teófilo Paulino, em Domingos Martins, Gabriel é mestre e estudante de doutorado em História Social das Relações Políticas pela UFES. Durante o desenvolvimento do seu mestrado, o historiador mapeou detalhadamente as principais formas de lazer dos colonos e seus descendentes. A pesquisa evidenciou como atividades tradicionais, como o jogo da bocha, a mora e as partidas de cartas, continuam fortemente presentes no cotidiano de comunidades do interior, como Quarto Território, São Roque de Maravilha, Sagrada Família e São Bento de Urânia, mantendo acesa a cultura dos imigrantes italianos em Alfredo Chaves.
Mais do que simples momentos de diversão no fim de semana, essas práticas tradicionais analisadas representam verdadeiros espaços de convivência e fortalecimento comunitário. Segundo o pesquisador capixaba, é exatamente nesses encontros informais que os moradores compartilham histórias antigas, conversam sobre o cotidiano da lavoura, organizam mutirões de trabalhos coletivos e mantêm vivos os laços culturais herdados diretamente dos primeiros antepassados europeus.
Doutorado na UFES, História Oral e conferência em Lisboa
Avançando nos estudos do doutorado, Gabriel decidiu ampliar o foco sobre a cultura dos imigrantes italianos em Alfredo Chaves, aprofundando pesquisas científicas sobre as dinâmicas de trabalho, a religiosidade e a alimentação típica da região. Atualmente no terceiro semestre da pós-graduação, ele realiza entrevistas gravadas com descendentes de imigrantes utilizando modernos métodos de História Oral e observação etnográfica participante, registrando relatos, memórias e tradições diretamente com as famílias tradicionais do município.
O reconhecimento do trabalho acadêmico já ultrapassou as fronteiras capixabas e alcançou o cenário internacional. Entre os dias 15 e 17 de abril de 2026, Gabriel participou da VII CHAM Conference, promovida pela Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Na ocasião, o pesquisador apresentou parte dos resultados sobre o lazer como sociabilidade, levando a identidade do município para a Europa. O historiador possui ainda publicações em revistas científicas e trabalhos apresentados em importantes eventos nacionais, como a ANPUH e a RAPEES.
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Ponto de Vista: O trabalho do historiador Gabriel Pietralonga Marion é de um valor imensurável para o Espírito Santo, pois a identidade de um povo não se mantém viva sozinha sem o registro científico. Quando ele transforma os jogos de bocha, a mora e os relatos das famílias do interior em ciência dentro da UFES — e leva isso para ser aplaudido em uma conferência em Lisboa —, ele eleva a história de Alfredo Chaves ao cenário internacional. Esse tipo de pesquisa resgata o orgulho das comunidades rurais, valoriza o turismo cultural e garante que as futuras gerações saibam exatamente de onde vieram, mostrando que a cultura dos imigrantes italianos em Alfredo Chaves continua sendo um dos maiores patrimônios do nosso Estado.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Dirceu Cetto / Prefeitura Municipal de Alfredo Chaves | Foto: Arquivo PMAC / Divulgação | Redação: Informe Capixaba


