
A Serena Onda que o Mar me Trouxe”, de Edson Ferreira, pode ser assistido até quarta-feira em Vitória
Em circulação nacional em cinemas comerciais, o filme capixaba “A Serena Onda que o Mar me Trouxe”, dirigido por Edson Ferreira, está em cartaz até a próxima quarta-feira (26), com sessões diárias às 20h no Cine Metrópolis, localizado no campus da Ufes em Goiabeiras, em Vitória.
Segundo longa-metragem do cineasta, traz um relato íntimo em forma de documentário sobre a trajetória de seu pai, Edson Silva (1930-2018), um homem negro, pobre, nascido na periferia, que ganha o mundo ao ingressar na Marinha, nos anos 1940.
A história da construção do filme começa anos atrás quando Edson Ferreira produzia um curta-metragem documental sobre um time de futebol amador treinado por seu pai, personagem tão íntimo que foi ganhando cada vez mais força para o diretor, levando-o a redescobrir e ressignificar a trajetória de seu genitor. “Entendi que ele veio de um lugar muito especial, sofisticado, embora a família muito pobre. Havia uma sofisticação na lida com a vida, com o carinho, o afeto, que eu sinto remontar muito à ancestralidade negra africana. O sentido do que é família. E eu comecei a entender mais a minha própria história, porque eu tenho certos gostos, vontades e desejos”, relata o cineasta.
Então, o curta deu lugar a um longa-metragem que traz como ponto central o afeto, que o diretor destaca como o afeto preto. O papel do homem negro na sociedade, sem estigmas. Assim, Edson Ferreira conta a história do amor do pai pelas pessoas e o impacto que ele provocou ao longo de sua vida. Um homem que tinha o dom de valorizar as pessoas, de extrair o que elas tinham de melhor. O documentário revela o talento, o sentimento e a história de um homem que, mesmo sem ser conhecido de um grande público, foi uma pessoa de grandes feitos.
O cinema brasileiro, historicamente construído majoritariamente por pessoas brancas e de classes abastadas, vem nos últimos anos sendo ocupado por cineastas e temáticas negras e indígenas, processo do qual Edson Ferreira faz parte, pois em 2014 se tornou o primeiro homem negro a dirigir um longa-metragem de ficção no Espírito Santo, “Entreturnos”.
“Eu tenho muito este sentimento de que o Cinema Preto é um cinema de sentimento, de ação, de ligar a câmera e fazer. Sei que temos uma necessidade muito grande de fazer todo um trabalho de background. Não é só filmar por filmar. Sinto que a concretude do cinema preto se estabelece no momento em que filmamos, em que a gente dá o REC, no momento em que registramos corpos pretos, as inquietações que nós temos”, relata o cineasta, que é membro da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN).
AGENDA CULTURAL
Filme a Serena Onda que o Mar me Trouxe, de Edson Ferreira
Onde: Cine Metrópolis – Campus da Ufes em Goiabeiras
Quando: Dias 24, 25 e 26 de julho, às 20h.
Valor dos ingressos: R$16,00 (inteira) e R$8,00 (meia).
Trailer do filme: https://www.youtube.
Teaser do filme: https://www.youtube.
FICHA TÉCNICA
Elenco: Carlos Alberto Menezes da Silva, Celeste Maria Menezes da Silva, Edson Ferreira da Silva, Maria Menezes da Silva, Wesley Menezes Guimarães
Roteiro e Direção: Edson Ferreira
Assistência de Direção: Arthur Paiosi
Arte Gráfica: Lidiane Cordeiro
Trilha Sonora Original: Beto Dourah e Fernando Palau
Edição e Mixagem de Som: Alessandra Lima Felix
Motion Graphics: André Rios, Ramon Zagotto e Yago de Vargas
Color Grading e Finalização: Edson Lemos Akatoy
Montagem: Yago de Vargas
Fotografia e Som Direto: Edson Ferreira e Gabriel Dourado
Edson Ferreira (Diretor do Filme)
Edson Ferreira (Brasília, 15 de agosto de 1972) é ator, cineasta e roteirista. Possui formação em teatro e Especialização em Linguagens Audiovisuais e Multimídia. Ao longo de vinte anos de carreira, realizou diversos projetos premiados em importantes festivais e exibidos em serviços de streaming. Dirigiu os longas Areia (2024), A Serena Onda que o Mar me Trouxe (2023) e Entreturnos (2014), coproduzido pelo Canal Brasil, além de curtas, séries e videoclipes. Foi o primeiro negro a dirigir um longa-metragem de ficção no Espírito Santo, estado onde reside. Como ator, seus principais trabalhos são no longa Areia (2024), na série Cidinha dá Jeito (2019) e no curta A Mesa no Deserto (2017). É fundador da Filmes da Ilha Produções. Membro da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.
Por: Chaski Comunicação e Produção Cultural / Fotos: Leo Silveira


