
O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas o suicídio pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento(a) se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la.
A campanha setembro amarelo ajuda a prevenir o suicídio. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. Associados as questões de saúde mental, 36% do diagnóstico é causado pela depressão. No Brasil, o índice de suicídio entre os jovens tem crescido absurdamente, são 5,6 mortes a cada 100 mil jovens entre 15 e 29 anos. A depressão é a quarta maior causa de morte entre os jovens brasileiros.
Existem alternativas que propiciam as pessoas se cuidarem muito mais, prevenindo assim, a depressão enquanto doença médica que já atinge 20% da população mundial.
“Todos nós iremos nos sentir um pouco triste em alguns dias e isso é normal. Afinal, todas as emoções existem em todos os seres humanos. O que deve-se observar é se a pessoa estacionou na tristeza, pois ficar inerte, em estado de bloqueio total é um alerta para a depressão médica, nestes casos a pessoa perde o prazer pelas coisas, perde o brilho e não vê mais o ‘colorido’ da vida. Em casos assim, há alterações biológicas que necessitam de avaliação clínica e cuidados médicos”, afirma Rita Carvalho, gestora de desenvolvimento humano.

Para não se deixar abater pelos momentos de tristeza e baixa na energia pela rotina diária, Rita Carvalho, recomenda seguir as dicas abaixo:
- Cuide de sua alimentação, pois o que ingerimos influencia em nosso humor e bem estar físico, emocional e mental;
- Pratique algum exercício físico, eles estimulam o organismo na liberação de substâncias tóxicas e ativam a produção de hormônios e enzimas do “bem”;
- Faça outras atividades que elevem sua energia vital, como por exemplo: cuidar de plantas, ler para uma criança ou idoso, escrever, meditar, fazer yoga, dançar, etc. Encontre o que te faz sentir-se melhor e reserve um espaço na sua rotina;
- Evite ou fuja de ambientes e pessoas tóxicas. Estes locais e pessoas onde só há reclamação, fofocas, intrigas e afirmações negativas sobre a vida, só sugarão a energia vital de quem está de bem consigo próprio e deixarão a pessoa pra baixo com sentimento de tristeza sem motivo real;
- Lembre-se que o problema ou a situação não são você! Se há um problema, é porque somos capazes de administrar, resolver e superar, por isto, saiba que você é maior do que qualquer problema ou situação adversa.
Saber diferenciar a tristeza patológica da tristeza provocada por acontecimentos difícieis e desagradáveis são extremamente importantes, é o que explica a reprogramadora mental Ivana Cabral. Criar uma rede de apoio para falar dos sentimentos com alguém que tenha confiança e segurança, além de se medicar (com a ajuda de um médico) e fazer terapia.
“Nunca guarde os seus sentimentos para si, não sinta vergonha, não guarde suas dores, encontre pessoas queridas para desabafar e se sentirá mais forte para enfrentar a depressão. Conversar ajuda a reduzir o estresse que a doença provaca”, conta Ivana.
Os sintomas da depressão são: fadiga e dificuldade de concentração, o que tornam a procrastinação muito tentadora, é preciso ter tome cuidado e ficar atento para não se tornar um hábito. Nesse sentido, fazer terapia pode ser muito eficaz. Há também muitos livros de autoajuda, aplicativos e cursos online que podem ajudá-lo a aprender como sair da depressão.
Cuidar dos ambientes da casa também é muito importante e para ajudar nesse quesito, a arquiteta Leticia Monteiro, dá dicas para organizar e decorar o quarto para ajudas as pessoas que se encontram com a doença.
- Deixar o ambiente com muita iluminação, principalmente a natural, o sol ajuda na produção de serotonina, o que melhora o humor e diminui a ansiedade e irritabilidade;
- Objetos que proporcionem felicidade e boas lembranças, vale fotos, recados de pessoas queridas, recortes de revistas;
- Estimular o olfato: Aromatizadores com óleos essenciais de jasmin, néroli ou vetiver são exemplos de essências utilizadas para ajudar a combater a depressão. O pot pourri com fragrâncias de ervas e especiarias também pode ser usado. A canela, o cravo, a baunilha e o cardamomo ajudam a redescobrir o bom humor e bem-estar gerando tranquilidade;
- Uso de madeira em tons claros ou médios. A madeira traz sensação de aconchego e acolhimento, mas se utilizada em muita quantidade ou em tons muito escuros pode remeter à melancolia;
- Azul em tons claros, como turquesa, que remetam a cor do mar e do céu proporcionam sensação de relaxamento e energia;
- Utilização de materiais e texturas que remetam ao natural, como sisal, linho, palha, pedras e madeira. Você pode usar em almofadas, tapetes, objetos, cestos ou roupa de cama;
- Objetos que remetam a natureza, como plantas vivas ou permanentes, quadros com verde ou imagens de vegetação. A conexão do ser humano com a natureza e a luz natural proporciona sensação de bem-estar e bom humor, ajuda a regular o relógio biológico, diminui a frequência cardíaca e reduz o estresse;
- É interessante ter pequenos pontos de cores quentes, principalmente amarelo, que estimula o otimismo e a energia. O amarelo dá a sensação de conforto e felicidade, além de ajudar na concentração. Cuidado para não usar em excesso e o ambiente se tornar estimulante demais;
- Quarto com poucos adornos, visualmente mais limpo e com menos informações. Um ambiente organizado proporciona sensação de bem-estar. Deve-se levar em consideração também que a pessoa em quadro de depressão não sente vontade de arrumar e organizar, então um espaço com menos objetos se mantém de maneira mais simples.
Para a também arquiteta Lívia Quintella, é preciso investir no quarto já que a pessoa com depressão fica muito tempo reclusa nesse cômodo, é muito importante que possa olhar para as paredes e ter um momento de reflexão. Lívia também reuniu algumas dicas:
- Quadros com frases motivacionais e inspiradoras, que possam ajudar na autoestima do usuário do quarto;
- Fazer pequenas intervenções como uma pintura, colocar um papel de parede;
- Colocar quadros de recados para que a pessoa possa escrever algo para si mesma;
- Bastante luz natural e cortinas leves;
- Nas paredes ter cores claras, nos objetos pode abusar de cores mais vivas,
- Boa iluminação, nada de quarto escuto.

Percebendo os sinais
Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo.
O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.
Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real.
Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.
As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos
Expressão de ideias ou de intenções suicidas.
Fiquem atentos para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados:
“Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”
Isolamento
As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.


