O crescimento contínuo do e-commerce amplia alcance do varejo no cenário econômico atual, estabelecendo uma integração profunda entre o comércio tradicional de rua e as ferramentas digitais. A loja física continua desempenhando um papel fundamental no ecossistema de vendas, mas o endereço comercial deixou de ser o único fator determinante para o raio de atuação de uma empresa. Uma pesquisa inédita realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG (Pesquisa E-commerce 2026) revela que a presença on-line passa a funcionar como uma extensão direta da operação presencial, aproximando os pequenos e médios empresários de consumidores situados em diversas outras cidades e estados.
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Segundo levantamento oficial da entidade, mais da metade das empresas pesquisadas (51,1%) já possui presença on-line ativa. Deste grupo estruturado na internet, 72,9% efetivamente realizam transações comerciais por meio dos canais digitais. Essa transição estratégica tem sido impulsionada prioritariamente por dois aspectos centrais: a constante evolução da demanda do consumidor, destacada por 43,7% dos gestores, e a percepção consolidada de que o comércio eletrônico é uma tendência irreversível de mercado, apontada por 42,4% dos entrevistados.
A economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, ressalta que os números confirmam a consolidação do ambiente virtual no planejamento das empresas locais. De acordo com a especialista, vender pela internet deixou de ser uma estratégia exclusiva para organizações nascidas no ambiente digital. A integração entre o comércio presencial e o virtual permite criar uma nova porta de entrada para o cliente, expandindo o público-alvo sem que o empresário precise abandonar a tradição do balcão.
E-commerce amplia alcance do varejo e rompe fronteiras geográficas
O impacto mais marcante identificado no levantamento demonstra como o e-commerce amplia alcance do varejo ao romper barreiras locais. Entre as empresas do setor varejista que comercializam produtos pela internet, 68,9% já conseguem vender para consumidores residentes em outras cidades, enquanto 33,8% alcançam compradores localizados em outros estados da federação. A atuação no mercado internacional ainda apresenta caráter inicial, com 8,6% dos negócios realizando vendas para fora do país.

Esse ganho de cobertura geográfica representa uma oportunidade decisiva para fortalecer o mercado regional. Empresas que antes dependiam exclusivamente do fluxo local de pedestres e moradores do entorno agora conseguem apresentar seus catálogos para regiões inteiras. No ecossistema mineiro e do Sudeste, caracterizado pela forte presença de micro e pequenas empresas, o canal digital reduz drasticamente a dependência da localização física.
Além de abrir novos mercados, a integração física e digital redefiniu a logística de atendimento:
- Retirada presencial: 70,9% das empresas que combinam os canais físico e virtual oferecem a opção de retirada de mercadorias diretamente na loja física (omnichannel).
- Troca facilitada: 21,2% dos estabelecimentos autorizam a troca de produtos comprados pela internet em suas unidades físicas de atendimento.
- Flexibilidade operacional: O ponto de venda presencial passa a operar como um ponto estratégico de distribuição e relacionamento com o cliente.
WhatsApp e redes sociais dominam a jornada de vendas
O estudo da Fecomércio mostra que as ferramentas diretas de comunicação tornaram-se o principal balcão de negociação do comércio moderno. O WhatsApp Business é adotado por 71,5% das empresas pesquisadas com presença on-line, funcionando como um canal direto de fechamento de negócios. Em 54,8% dessas transações, todo o processo de venda e o pagamento ocorrem diretamente pela aplicação de mensagem, enquanto 33,1% fecham a venda pelo aplicativo, mas utilizam meios externos para a quitação. O catálogo digital integrado é utilizado por 20,2% das empresas.
Nas redes sociais, a adesão é ainda mais expressiva. Cerca de 86,1% das empresas ativas no meio digital utilizam redes sociais para impulsionar suas marcas. O Instagram lidera com absoluta hegemonia, estando presente em 99,2% dos estabelecimentos com presença social. Atualmente, o uso dessas redes concentra-se prioritariamente na divulgação de promoções (87,6%) e exposição de produtos (86,7%), indicando que o mercado caminha para uma fase em que o conteúdo educativo e o atendimento qualificado serão diferenciais competitivos.
Paralelamente, os grandes marketplaces ainda não dominam a totalidade da operação varejista regional. Cerca de 84,1% das empresas on-line não vendem em grandes plataformas, preferindo os canais próprios e diretos. Entre as que utilizam marketplaces, o Mercado Livre lidera com 54,5%, seguido pelo iFood (31,8%), Shopee (18,2%) e Amazon (9,1%). Já os sites próprios são adotados por 25,8% dos negócios pesquisados, dos quais 71,8% concluem vendas diretamente na plataforma.
Nos meios de pagamento, a preferência do consumidor brasileiro consolidou a liderança do Pix. Aceito por 88,7% dos estabelecimentos virtuais, a modalidade supera o cartão de crédito (51,7%) e o cartão de débito (41,7%). Quanto ao impacto no faturamento, 39% dos empresários afirmam que os canais digitais representam até 20% do faturamento total da empresa, confirmando o papel do e-commerce como um poderoso canal complementar.
Ponto de Vista: A integração digital como motor de desenvolvimento socioeconômico regional
A transformação demonstrada pelos dados do setor varejista reforça que o ambiente virtual não veio para substituir o comércio presencial, mas para somar forças e ampliar a competitividade dos nossos empresários. Para o Espírito Santo e todo o mercado regional, ver pequenos e médios negócios dominando ferramentas de vendas on-line, Pix e atendimento direto via WhatsApp representa um avanço expressivo em produtividade e geração de empregos. A gestão moderna exige planejamento técnico e capacitação continuada para transformar ferramentas digitais em receita sustentável. O Informe Capixaba reafirma seu compromisso editorial de divulgar análises econômicas de alto valor que auxiliem o desenvolvimento empresarial da nossa região.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Wagner Fernando Liberato | Foto: Divulgação Fecomércio | Redação: Informe Capixaba


