A Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES) acompanha com extrema preocupação as recentes medidas protecionistas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, que confirmou uma nova taxação de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Como os Estados Unidos são o principal parceiro comercial das empresas capixabas, o Espírito Santo se posiciona como um dos estados mais vulneráveis do país a esse novo ciclo tarifário restritivo. A sobretaxa, prevista para entrar em vigor no dia 22 de julho, gera um clima de forte incerteza macroeconômica e afeta diretamente o planejamento estratégico de centenas de corporações exportadoras instaladas no território estadual.
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Indústria capixaba sofre com nova taxação de 25% do governo americano
De acordo com um levantamento técnico detalhado elaborado pelo Observatório FINDES com base nos dados oficiais do Comex Stat, a tarifa aduaneira adicional de 25% incidirá sobre quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo. O impacto desta decisão tarifária é severo porque atinge diretamente setores consolidados da economia capixaba que anteriormente contavam com isenções fiscais, como o segmento de rochas naturais (mármore e granito) e o de minério de ferro. Apenas no ano de 2025, as exportações capixabas desses dois insumos minerais para o mercado norte-americano somaram mais de US$ 240 milhões, o que equivale a 8,5% de tudo o que o estado vendeu para os Estados Unidos no período.
Em termos globais, os Estados Unidos receberam 27% de todas as exportações do Espírito Santo no ano passado, gerando uma receita cambial de US$ 2,8 bilhões para o comércio exterior do estado. O presidente da FINDES, Paulo Baraona, ressalta que a elevação artificial dos custos de importação compromete uma sólida e histórica relação bilateral construída por empresários e diplomatas ao longo de várias décadas. Brasil e Estados Unidos possuem cadeias industriais fortemente integradas, o que significa que o aumento das taxas aduaneiras prejudica a competitividade sistêmica de empresas sediadas em ambas as nações, encarecendo matérias-primas essenciais para as próprias indústrias americanas.
Exportações do Espírito Santo acumulam perdas significativas no primeiro semestre
O fluxo comercial entre o Brasil e os Estados Unidos já vinha apresentando sinais claros de desaceleração devido à instabilidade gerada por sucessivas ameaças tarifárias do governo estrangeiro. No balanço consolidado do primeiro semestre deste ano de 2026, as exportações brasileiras para o território norte-americano sofreram um recuo de 13%, representando uma perda de US$ 2,6 bilhões para a balança comercial nacional. Essa queda expressiva foi impulsionada pela retração de 8,7% no volume de vendas externas da indústria de transformação, que, apesar das dificuldades conjunturais, manteve-se como o principal motor das vendas ao exterior.
No Espírito Santo, a retração comercial foi ainda mais aguda e preocupante para o PIB local. Durante os primeiros seis meses de 2026, as indústrias capixabas exportaram aproximadamente US$ 1,4 bilhão para os parceiros americanos, valor que representa 27,5% do total da pauta de exportações do estado. Contudo, esse montante financeiro significa uma queda acentuada de 17,2% em relação ao faturamento registrado no mesmo período do ano anterior. Mesmo diante desse cenário de desaceleração, o Espírito Santo ainda retém a importante posição de terceiro estado com maior dependência proporcional das vendas para os Estados Unidos e o quarto maior valor exportado em âmbito nacional.
Diversificação de mercados globais protege a economia do Espírito Santo
Como resposta estratégica a essas barreiras tarifárias, a FINDES e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendem que o diálogo técnico e a negociação diplomática contínua são os caminhos mais adequados para reverter os prejuízos e manter a estabilidade do livre comércio internacional. Paralelamente às tratativas bilaterais junto a entidades como a Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce, o setor industrial capixaba intensifica esforços para diversificar sua carteira de parceiros internacionais. O objetivo principal é expandir a presença dos produtos do estado nos mais de 170 mercados estrangeiros com os quais o Espírito Santo já possui canais abertos, reduzindo os riscos associados à dependência de um único país comprador.
Ponto de Vista
O fortalecimento da diplomacia comercial e a diversificação de parcerias internacionais são os caminhos definitivos para blindar a indústria capixaba diante das oscilações econômicas globais.
É extremamente preocupante ver que setores vitais para a economia do Espírito Santo, como a extração de rochas ornamentais e a mineração, passem a ser sobretaxados em 25% pelo governo dos Estados Unidos, nosso principal comprador externo.
Sob a liderança de Paulo Baraona na FINDES e em parceria com a CNI, o setor produtivo capixaba demonstra maturidade ao buscar o diálogo técnico com entidades americanas, ao mesmo tempo em que acelera a abertura de novas rotas de exportação em outros continentes.
Proteger a nossa capacidade exportadora é, acima de tudo, garantir a manutenção de milhares de empregos qualificados e o desenvolvimento industrial sustentável de todo o Espírito Santo.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Siumara Gonçalves e Anderson Barollo / FINDES | Foto: Shutterstock / Divulgação | Redação: Informe Capixaba


