O espetáculo de dança afro-contemporânea “Botão da M’agua’’ destaca a riqueza da cultura negra e a força das memórias de matrizes africanas, que ganham os palcos da capital capixaba nesta semana. Idealizado e protagonizado pela bailarina capixaba Ju Fachetti, a produção realiza novas apresentações nos dias 25, 26 e 27 de junho, às 19h30. As exibições acontecem no Teatro Virgínia Tamanini, localizado no Centro Cultural Sesc Glória, no Centro de Vitória. A performance traz ao público uma profunda investigação corporal sobre um corpo que carrega memórias antigas e aprende a se benzer no próprio movimento, contando com a mentoria artística e coreográfica de Elídio Netto.
Nota da redação: Para garantir a precisão e a sua segurança, esta matéria é revisada periodicamente pela nossa equipe. Novas informações e detalhes importantes podem ser acrescentados a qualquer momento.
Os ingressos para prestigiar a atração cultural estão disponíveis para venda online e podem ser adquiridos de forma individualizada para cada uma das datas programadas. Os links oficiais da plataforma Lets Events são: para o dia 25 (lets.events/e/cena-local-botao-da-m-agua-99), para o dia 26 (lets.events/e/cena-local-botao-da-m-agua/) e para o dia 27 (lets.events/e/cena-local-botao-da-m-agua-34/). Outras informações a respeito do projeto e dos bastidores da produção podem ser acompanhadas diretamente no perfil oficial da artista no Instagram (@jufachetti).
Espetáculo de dança afro-contemporânea traz à cena memórias afetivas e luto familiar
Com uma dinâmica estruturada em movimentos cíclicos, o espetáculo de dança afro-contemporânea representa instantes específicos em que lembranças, gestos cotidianos e afetos emergem para provocar transformações drásticas em um corpo atravessado por vozes de mulheres, pequenos gestos e silêncios marcantes. A composição cênica se constrói em formato de espiral, estabelecendo uma analogia com quem retorna no tempo para escutar a própria história. A coreografia se desenvolve no entrelaçamento de ações fundamentais: cair e levantar, desfazer e refazer, lembrar e seguir em frente.
O projeto marca de forma expressiva a estreia solo e autoral de Ju Fachetti, profissional transdisciplinar que acumula mais de dez anos de carreira na cena capixaba. A criação de “Botão da M’agua’’ brotou de reflexões íntimas e vivências pessoais ligadas à sua ancestralidade feminina, impulsionadas diretamente pelo luto decorrente da perda de sua avó materna, Maria das Graças. Esse processo passou a ser compreendido não apenas como uma ausência física, mas sim como um estado sensível capaz de mobilizar lembranças profundas e resgatar experiências da infância compartilhadas coletivamente entre as mulheres de sua linhagem familiar.
Fundamentando a parte teórica e prática da montagem, a estrutura coreográfica traz referências conceituais da filosofia de Bunseki Fu-Kiau, que enxerga o corpo humano como uma continuidade viva entre o rito, a vida e o cosmos. A concepção também absorve a ideia do tempo espiralar e da memória grafada no gesto, baseada nos estudos de Leda Maria Martins, além de debates sobre o silêncio e traumas históricos investigados por Grada Kilomba. A pesquisa engloba os fluidos corporais na dança afro-contemporânea e a expressão popular “arcas caídas”, que remete a dores na boca do estômago, nomeada por sua avó como o “botão da mágoa”.
Montagem artística originada na Ufes celebra terceira temporada de exibições
A obra cultural atinge agora a sua terceira temporada de apresentações oficiais. A estreia da montagem ocorreu originalmente em dezembro de 2025, estabelecendo-se como o resultado prático do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Ju Fachetti na graduação de Artes Plásticas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), além de ser fruto direto da Residência Artística Movência, que promoveu imersões e vivências em dança totalmente gratuitas com a participação dos artistas Lalau Martins, Jordan Fernandes, Jadson Titânio e Gil Mendes.
“O espetáculo surge da residência Movência, onde convidei Elídio Netto para ser meu mentor artístico e ele continua comigo sendo essa presença nas apresentações. Quando vi Elídio falar de suas matriarcas, pensei que não haveria outro caminho para um primeiro trabalho solo e autoral. A gente diz que descobrimos um quarto escuro do peito, onde memórias estavam guardadas em gavetas que precisavam ser mexidas e revisitadas. Cresci na casa de minha avó, em uma família formada e sustentada por mulheres, sendo a filha mais velha de minha mãe e a primeira pessoa da minha família a escolher a arte como caminho profissional.
Minha pesquisa artística investiga o luto como um provocador de retorno às memórias da infância, valorizando os saberes, gestos e histórias das mulheres que me criaram. Dançar “Botão da m’agua” é uma elaboração constante do que é a ausência, do que é resistência e do que é desaguar. Cada apresentação é diferente, é um choro diferente, é uma troca diferente. É um trabalho que convida também o público a revisitar dentro de si a história familiar que o compõe enquanto indivíduo, enquanto afetos, enquanto saudade. Não é sobre curar algo, é sobre dar vazão ao que faz o botão da mágoa doer”, explica Ju Fachetti.
A criadora da obra é artista transdisciplinar, atuando de forma ativa nos segmentos de produção cultural, dança e artes visuais. Ju Fachetti é bacharelanda em Artes Plásticas pela Ufes, estudante de Produção Cultural pela Uniasselvi e técnica em Dança diplomada pela Escola de Dança FAFI. Em sua caminhada profissional pelo Espírito Santo, integrou grupos e coletivos de destaque nacional, como a Cia de Dança Afro NegraÔ e o espetáculo Inconstante, dirigido por Gabriela Moriondo e Glauber Viana. Unindo o cotidiano, o território e a ancestralidade, ela desenvolve cartografias sensíveis que transformam memórias familiares em matéria-prima para a criação contemporânea nos palcos.
Serviço detalhado do espetáculo e ficha técnica da produção
- Espetáculo: “Botão da M’agua’’
- Datas das apresentações: 25, 26 e 27 de junho, às 19h30
- Local: Teatro Virgínia Tamanini – Centro Cultural Sesc Glória (Centro de Vitória)
- Canais para compra de ingressos:
- Sessão de 25/06 às 19h30: Link Lets Events 25
- Sessão de 26/06 às 19h30: Link Lets Events 26
- Sessão de 27/06 às 19h30: Link Lets Events 27
- Ficha técnica completa:
- Mentor artístico e coreográfico: Elídio Netto
- Direção de Produção, artista da dança e artista visual: Ju Fachetti
- Assistência de Produção: Brunela Negreiros e Flávia Francisca
- Registro audiovisual, som e iluminação: Edu Donna
- Fotografia: Bernardo Firme e Edu Donna
- Assessoria de Imprensa: Lais Rocio | Fôlego Comunicação
Ponto de Vista
A realização de exibições culturais de dança afro-contemporânea no Sesc Glória cumpre um papel fundamental para a preservação histórica e o fomento artístico no Espírito Santo. Unir a pesquisa acadêmica desenvolvida na Ufes com a ancestralidade e as vivências das matriarcas capixabas resulta em um trabalho cênico rico, potente e necessário para a formação de novas plateias. A grande vantagem é ver a nossa produção artística independente ocupando os palcos principais do Centro de Vitória com histórias de resistência e sensibilidade, provando que a cultura capixaba segue em frente e que a arte no nosso Estado não para, mantendo a identidade e as nossas memórias a todo vapor.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Lais Rocio / Fôlego Comunicação | Foto: Bernardo Firme e Edu Donna / Divulgação | Redação: Informe Capixaba


