“Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa debate poluição na Curva da Jurema em Vitória”.
A poluição na Curva da Jurema e na Praia da Guarderia, em Vitória, dominou os debates na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (24). Parlamentares cobraram a identificação e punição dos responsáveis após a apresentação de um laudo independente que aponta níveis alarmantes de poluição.
Coliformes fecais 40 vezes acima do permitido
O estudo, encomendado pelos vereadores Pedro Trés e Bruno Malias (PSB), revelou que as águas da região apresentam uma concentração de coliformes fecais 40 vezes superior ao limite permitido. As amostras foram coletadas no dia 6 de fevereiro, focando em pontos próximos a manilhas que deságuam no mar.
O deputado Fabrício Gandini (PSD), presidente da comissão, criticou a falta de transparência da prefeitura sobre a mancha escura que apareceu no mar recentemente. “O mínimo que se espera é avisar a população. Crianças e idosos entraram naquela água no dia seguinte”, alertou.
O desafio das ligações de esgoto
De acordo com Gandini, a capital possui rede coletora, mas a adesão ainda é um entrave. “Hoje existem 10 mil imóveis que já podem se ligar à rede de esgoto. Só isso retiraria 3,5 milhões de litros de esgoto por dia das nossas águas”, destacou o parlamentar, reforçando que a poluição prejudica diretamente o turismo capixaba.
A deputada Camila Valadão (Psol) e a deputada Iriny Lopes (PT) também endureceram o discurso, classificando o episódio como uma possível omissão ou crime ambiental grave, que deve ser investigado pelo Ministério Público.
Monitoramento em Tempo Real
Uma das propostas debatidas foi a atualização tecnológica do monitoramento da balneabilidade. Gandini defendeu o uso de boias inteligentes que realizam a medição da qualidade da água em tempo real, evitando que a população utilize praias impróprias devido a mudanças climáticas repentinas, como chuvas fortes.
Outro lado
Em contrapartida, a Prefeitura de Vitória, por meio do secretário de Obras Gustavo Perim, negou que a mancha escura fosse esgoto. Segundo a gestão municipal, o fenômeno foi resultado de intervenções em uma estação de bombeamento de águas pluviais. A Comissão de Meio Ambiente agora deve encaminhar pedidos de investigação ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público.
por: Gleberson Nascimento.| Foto: Gleberson Nascimento | Editora-Chefe: Vanuza Oliveira / Suporte: IA


