O programa do MEI alcança recorde histórico e consolida-se como um dos principais instrumentos de formalização, inclusão produtiva e geração de renda no Brasil. Instituído originalmente em 2008 pela Lei Complementar nº 128/2008, o modelo surgiu para tirar trabalhadores autônomos da vulnerabilidade fiscal e integrá-los à previdência social. Em pouco mais de 17 anos, o volume de cadastros ativos deu um salto extraordinário, saindo de 43,6 mil registros em 2009 para a marca histórica de 17.075.033 microempreendedores ativos em 2026. Esse avanço reflete as transformações estruturais do mercado de trabalho e o dinamismo do ecossistema de pequenos negócios.
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Como o MEI alcança recorde e transforma estados como Minas Gerais
A evolução histórica do programa evidencia um ritmo de expansão contínuo e acelerado nas últimas duas décadas. Em 2010, os registros contabilizavam 776.565 cadastros, dobrando logo no ano seguinte. Esse crescimento foi impulsionado pela facilidade de regularização e pelos benefícios fiscais unificados. Acompanhe abaixo o levantamento completo da Fecomércio MG que detalha a variação anual e a consolidação do Microempreendedor Individual no país:
| Ano | Total MEI | Variação do MEI |
| 2009 | 43.637 | – |
| 2010 | 776.565 | 1679,6% |
| 2011 | 1.656.953 | 113,4% |
| 2012 | 2.665.266 | 60,9% |
| 2013 | 3.658.795 | 37,3% |
| 2014 | 4.652.030 | 27,1% |
| 2015 | 5.677.996 | 22,1% |
| 2016 | 6.649.896 | 17,1% |
| 2017 | 7.729.234 | 16,2% |
| 2018 | 7.738.541 | 0,1% |
| 2019 | 9.427.687 | 21,8% |
| 2020 | 11.304.498 | 19,9% |
| 2021 | 13.276.086 | 17,4% |
| 2022 | 14.820.414 | 11,6% |
| 2023 | 15.719.345 | 6,1% |
| 2024 | 16.346.827 | 4,0% |
| 2025 | 16.748.573 | 2,5% |
| 2026 | 17.075.033 | 1,9% |
Analisando a representatividade regional, Minas Gerais desponta como o segundo estado brasileiro em números absolutos, registrando 1.852.470 profissionais ativos, ficando atrás somente de São Paulo. No ranking de densidade por mil habitantes, Minas ocupa a 9ª colocação nacional com uma proporção de 8,66%. Santa Catarina lidera este quesito proporcional com 10,61%, seguida muito de perto pelo Rio de Janeiro (10,48%) e pelo Espírito Santo, que ostenta a excelente 4ª colocação nacional com 100,3 MEIs por mil habitantes (10,03%).
A força dessa política pública está presente em todas as 853 cidades mineiras. Belo Horizonte lidera o ranking dos municípios do estado com 296.169 optantes, seguida de longe por Uberlândia (88.200) e Contagem (77.398). Em contrapartida, o município de Tapiraí, devido à sua reduzida base populacional, ocupa a última posição estadual, registrando apenas 40 microempreendedores ativos.
Setores em alta e as principais atividades que fazem o MEI alcançar recorde
A distribuição mercadológica aponta que o setor terciário dita a regra do empreendedorismo formalizado tanto em âmbito nacional quanto regional. No Brasil, o setor de serviços lidera de forma isolada concentrando 55,92% das atividades, seguido pelo comércio com 24,04%. A indústria responde por 9,95%, a construção civil por 9,52% e a agropecuária fecha a lista com 0,57%. Em Minas Gerais, o cenário é semelhante: serviços detêm 54,4% e o comércio alcança 23,7%.
Ao avaliarmos as ocupações gerais preferidas pelos microempreendedores no Brasil, nota-se uma forte aderência a setores de atendimento direto ao público consumidor:
| Posição | Principais Atividades MEI no Brasil (Geral) | Total Registros |
| 1 | Cabeleireiros, manicures e pedicures | 942.366 |
| 2 | Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios | 823.231 |
| 3 | Promoção de vendas | 739.477 |
| 4 | Obras de alvenaria (Construção Civil) | 699.567 |
| 5 | Preparação de documentos e serviços de apoio administrativo | 511.063 |
O estudo da Fecomércio MG também revelou recortes detalhados divididos por gênero. No Brasil, os homens respondem por 55% das empresas ativas, com foco concentrado em obras de alvenaria (672.670), transporte rodoviário de cargas (369.724) e promoção de vendas (366.258). As mulheres representam 45% do bolo total de registros nacionais. Entre o público feminino, as atividades de destaque são os serviços de cabeleireiros e estética (681.918), comércio de roupas e artigos de vestuário (618.823) e promoção de vendas (373.219).
A idade dos novos empreendedores também acompanha a População Economicamente Ativa (PEA). A faixa etária predominante situa-se entre 31 e 40 anos (28,44% no Brasil e 27,77% em Minas Gerais), seguida pelo grupo de 41 a 50 anos (24,28% no Brasil e 24,41% em Minas). Adicionalmente, as formas físicas de atuação em território nacional mostram que o estabelecimento fixo (33,76%) e as vendas de porta a porta ou ambulantes (22,55%) dividem espaço com os canais de comércio eletrônico via internet, que já conquistaram expressivos 21,21% de participação mercadológica.
Desafios de sustentabilidade, faturamento e inclusão de estrangeiros
Embora os dados comprovem um avanço sem precedentes, o programa enfrenta entraves estruturais complexos voltados à sua sustentabilidade fiscal e à inadimplência recorrente. Estudos apontam que apenas 38% dos microempreendedores recolhem regularmente suas contribuições previdenciárias mensais. Como o governo federal subsidia entre 79,1% e 86,5% do valor dos benefícios previdenciários finais concedidos, o modelo gera uma pressão fiscal de longo prazo que exige novas medidas de educação financeira e conscientização tributária.
Outro fator debatido por especialistas diz respeito ao perfil de faturamento e escolaridade. Surpreendentemente, 74,7% dos optantes nacionais possuem ensino médio completo ou superior, e 31,3% contam com diploma de graduação — médias superiores às dos profissionais que atuam sob o regime da CLT (22,4%). Mais da metade dos registrados (56,4%) possui rendimento mensal médio de R$ 3.783, superando os ganhos médios dos empregados com carteira assinada e dos trabalhadores autônomos que operam na informalidade.
Por fim, o ecossistema destaca-se como uma importante ferramenta de inserção social para imigrantes. Os estrangeiros já somam 0,78% dos registros ativos no Brasil (132.696 empreendedores). No cenário nacional, a comunidade venezuelana lidera os registros externos com 21,99% (29.174 MEIs), seguida pelos bolivianos com 14,45% (19.177). Já em Minas Gerais, os dados específicos diferem: a nacionalidade colombiana lidera o mercado imigrante com 22,43% (1.048 cadastros), seguida pelos venezuelanos (19,45%) e portugueses (5,91%), reforçando a diversidade cultural do comércio local.
Ponto de Vista
O crescimento vertiginoso do Microempreendedor Individual comprova que o brasileiro enxerga na formalização a oportunidade ideal para estruturar seus sonhos e garantir proteção social.
Contudo, os altos índices de inadimplência fiscal e a mudança no perfil de renda exigem que o poder público aperfeiçoe as regras de acesso, focando em capacitação técnica avançada e crédito simplificado, para que a engrenagem continue gerando riquezas sem comprometer os cofres da previdência.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Wagner Liberato/ Fecomércio MG, Portal do Empreendedor e Receita Federal | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba


