Como o sistema engessado tenta travar a força da nossa criatividade e da nossa verdade
Existe uma verdadeira força oculta em nossa essência, mas vivemos em uma época onde todo mundo parece ter um PhD em regras e um zero em sensibilidade. Se você liga a televisão ou abre as redes sociais, o que mais vê são fôrmas prontas. Coaches ditando como você deve respirar, falar e enriquecer para não ser rotulado como um “derrotado”.
Especialistas de internet com títulos gigantescos dizendo que você deve ignorar o seu próprio cachorro quando chega em casa para ele não ter um ataque. Ora, o ataque de ranço quem tem sou eu de ver tanta frieza! Nos fazem fingir o tempo todo na rua que não somos o que somos. Afinal, a vida é um sopro e, em menos de 8 horas após a partida, o corpo já perece. Para que tanta máscara?
Essa mania de querer enfiar o ser humano dentro de uma boiada também invadiu o que deveria ser mais sagrado. Hoje, confunde-se religião com política de um jeito assustador, arrastando políticos para cima do púlpito. Há uma diferença crucial entre o palanque e o púlpito. O púlpito é o lugar do sagrado, do templo, de conectar o corpo de Cristo — que somos todos nós, juntos. Quando transformam o sagrado em comércio ou palanque de disputa, as pessoas se perdem e se separam.
O Céu, o Eu e o Divino Que Habita nas Nossas Entranhas
O grande equívoco de muitos religiosos e coaches hoje é pregar um Deus distante, isolado no topo de um pedestal, fazendo com que as pessoas corram para os templos tentando “achar” algo que deixaram do lado de fora. Quem é cristão de verdade sabe que o Criador não está trancado em quatro paredes e nem flutuando em uma nuvem — se você pegar um avião e subir o mais alto que puder, não vai encontrar um Deus físico lá em cima.
Ele habita nas nossas entranhas, em cada veia, no balanço de uma árvore, no afeto de um bicho e na nossa própria existência. A Bíblia já nos lembrava disso em passagens como Gálatas 2:20, ao revelar que já não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós. Somos o santuário vivo.
Dias atrás, acompanhando as redes sociais, vi uma conotação brilhante e inteligente no Instagram que resume essa intimidade: se pegarmos a palavra Deus e retirarmos a primeira e a última letra, o que sobra no centro é o Eu. Da mesma forma, se tirarmos a primeira letra da palavra Céu, o que resta é o Eu.
Isso não é vaidade; é a síntese de que o encontro real com o Divino acontece de dentro para fora. Quando as pessoas vão à igreja e saem reclamando que “o culto não foi bom”, o erro já começa aí. Elas esquecem que a igreja é o corpo de Cristo reunido para glorificar e entregar o louvor, e não um balcão de negócios para buscar interesses próprios. Quem não está legal é a própria pessoa, que perdeu a capacidade de conversar com Deus na simplicidade do dia a dia.
Essa conexão real independe de moldes familiares tradicionais. O sucesso ou a felicidade verdadeira não vêm de fórmulas prontas. Uma pessoa que mora sozinha, que não seguiu o roteiro de casar ou ter filhos, não está isolada. Ela está profundamente incluída e conectada com a rua, com os amigos do outro lado do telefone e com o mundo, porque o elo que a une aos outros é o próprio Cristo que habita nela. Essa intimidade se constrói na caminhada diária, no silêncio da noite ou num desabafo sincero a qualquer hora, como quem liga para uma amiga querida apenas para manter o laço vivo.
Quebrando o Paradigma da Boiada: A Força dos Que Vêm do Nada

O mercado corporativo e a sociedade muitas vezes tentam padronizar o comportamento, criando um sistema rígido que tenta ditar como devemos falar, escrever ou agir, travando a nossa criatividade. O colégio muitas vezes nos cobra regras gramaticalmente robóticas em vez de liberar o nosso diferencial criativo e o nosso faro para a vida. Mas a história se encarrega de quebrar esse molde. Quando olhamos para os grandes nomes que revolucionaram o mundo, percebemos que a virada de chave nunca esteve em uma cartilha engessada, mas sim na coragem de abraçar a própria naturalidade e enxergar as bifurcações de oportunidade que Deus coloca no caminho.
Silvio Santos começou como camelô nas ruas, sem diplomas imponentes, e usou o carisma e a comunicação natural para construir um império na televisão. O estilista Clodovil Hernandes, décadas atrás, desafiou a alta sociedade ao assumir sua identidade com autenticidade cortante, conquistando seu espaço pela pura força de sua personalidade.
Até mesmo na tecnologia, mentes brilhantes como Steve Jobs revolucionaram o planeta, nos lembrando, ao final de sua jornada contra o câncer, que o dinheiro acumulado de nada vale se não houver um propósito real e o entendimento de que a vida é um sopro. A própria Bíblia nos mostra que o movimento faz parte do plano divino: Deus não chamou Abraão no conforto, mas sim aos 75 anos, ordenando que ele saísse da sua parentela para começar do nada e prosperar no deserto.
Não existe método, curso de coach ou programa de podcast que esteja acima do que Deus desenhou para o nosso corpo e para a nossa mente. Claro que o estudo e o trabalho são fundamentais, mas a verdadeira aceitação de quem somos — com os nossos erros, nossos acertos e o nosso jeito único de falar — é o que explode e dita o sucesso real. Menos fôrma, menos cobranças vazias e mais movimento com fé. Afinal, quando deixamos de ser mais um na boiada para sermos fiéis à nossa essência, o mundo abre espaço para a nossa verdade.
Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Vanuza Oliveira | Foto: Divulgação Canva @grandesite| Redação: Informe Capixaba


