A série de videoarte na Serra estreia oficialmente no cenário cultural capixaba com o lançamento do projeto “O que o tempo escreve na pele”, concebido pela artista visual e fotógrafa Regina Serapião, moradora da Praia da Baleia. O primeiro episódio, intitulado “Ato 1: Transmutação da pele”, já está disponível no canal oficial do projeto no YouTube, inaugurando uma bela e sensível obra em 3 episódios nos quais o corpo feminino, a natureza litorânea e os objetos cotidianos tornam-se completamente indissociáveis. Através de uma poética construída com imagens marcantes, performances corporais e música instrumental autoral, a produção propõe uma profunda reflexão sobre a maturidade, o passar dos anos e a aceitação do corpo.
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Os próximos episódios da série de videoarte na Serra serão lançados nas próximas semanas, sempre às 18h, no canal digital do projeto. O público poderá acompanhar o “Ato 2: Tempo, pele, ferrugem”, no dia 2 de julho, e o encerramento com o “Ato 3: A profundidade da pele”, no dia 9 de julho. Buscando promover ampla democratização e acessibilidade para todos os espectadores capixabas, todos os materiais em vídeo contam com recursos de audiodescrição e legendas descritivas completas. A iniciativa cultural conta com a realização da FiNA Produtora, com o apoio institucional da Secretaria da Cultura (Secult) e do Ministério da Cultura, por meio do Funcultura e da Lei Aldir Blanc.
Natureza e a força do feminino conduzem a série de videoarte na Serra
A percepção e a consciência sobre a passagem do tempo são as questões centrais da produção de Regina Serapião, colocando a vida humana e as transformações do meio ambiente em perfeito paralelo. A artista lamenta o sofrimento de muitas mulheres que rejeitam a própria imagem por acreditarem que o valor pessoal está atrelado apenas à pele jovem, utilizando o próprio corpo para exaltar as marcas e experiências acumuladas. O trabalho artístico ganhou vida na varanda de sua residência de frente para o mar, que funciona como um ateliê orgânico onde ela reúne conchas, pedras, folhas e objetos enferrujados recolhidos em suas caminhadas diárias pela Praia da Baleia.
O projeto audiovisual conta com uma forte essência familiar. Além dos registros fotográficos e de vídeo feitos pela própria artista, a produção soma o olhar técnico de sua filha, Fernanda Batalha, e a direção artística e executiva de Fernanda Nali. A trilha sonora instrumental que ambienta cada cena foi composta exclusivamente por seu outro filho, o músico e professor Rodrigo Batalha.
Aos 59 anos de idade, Regina ingressou no curso de Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), formando-se em 2022. Foi após os 60 anos que a fotógrafa estruturou sua pesquisa de TCC e foi selecionada no edital público da Secult focado em novos talentos, abrindo as portas para o lançamento oficial de sua primeira obra de visibilidade pública.
Ponto de Vista
A estreia da obra de Regina Serapião prova que a potência da produção cultural e da economia criativa no Espírito Santo independe de faixas etárias. Transformar o envelhecimento feminino em poesia visual e performance integrada às paisagens litorâneas da Serra é um ato de profunda coragem, sensibilidade e contestação aos padrões estéticos do mercado. O apoio da Secult por meio de editais de incentivo é fundamental para dar voz e espaço a trajetórias de vida tão ricas e orgânicas, enriquecendo o patrimônio artístico capixaba e mostrando que a arte feita na nossa terra tem qualidade de sobra para emocionar e dialogar com o mundo.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Chaski Comunicação e Produção Cultural | Foto: Fernanda Batalha | Redação: Informe Capixaba


