A riqueza cultural e a potência artística dos povos originários do Espírito Santo ganham projeção nacional de 3ª Mostra em uma das principais vitrines de arte do país neste ano de 2026. Até o dia 20 de junho, a renomada Galeria Carmo Johnson, localizada na capital paulista, abriga as atividades da 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o instigante tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota um dinâmico formato de feira-festival, consolidando-se como um território indispensável para a difusão da criatividade, da memória coletiva e da resiliência de diferentes comunidades tradicionais brasileiras. Entre os expositores selecionados, destacam-se três criadores que vivem em solo capixaba: Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani.
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Integrantes do Coletivo Rembyapó, os artistas do Espírito Santo apresentam na capital paulista um instigante conjunto de pinturas e objetos instalativos que dialogam diretamente com a cosmologia, a rotina e a resistência de suas comunidades na região de Aracruz. A oportunidade de integrar o circuito paulistano surgiu após a visita da curadora e organizadora do projeto, Naine Terena, que participou de uma residência artística no território capixaba. A ação cultural foi viabilizada pela Associação Indígena Tupinikim e Guarani com fomento do Funcultura, da Secretaria da Cultura do Estado e do Ministério da Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
A circulação das obras pelo circuito 3ª Mostra Etnomídia Indígena fora do Espírito Santo funciona como uma importante plataforma de validação artística, abrindo canais de diálogo diretos com curadores internacionais e grandes instituições de arte. Essa articulação inicial promovida pelo grupo Guarani já apresenta desdobramentos práticos significativos, incluindo o processo de inscrição no Programa Territórios Criativos da Lei Rouanet, que atualmente encontra-se em fase de captação de recursos financeiros. Além disso, o modelo de residência desenvolvido nas aldeias de Aracruz ganhou relevância nacional ao ser catalogado pelo Ministério da Cultura como uma das iniciativas de referência mapeadas no país.
Festival de Impressos celebra as múltiplas linguagens e artes visuais
Funcionando como uma feira-exposição integrada, o evento nacional busca colocar a produção intelectual, editorial e visual dos povos originários no centro do debate artístico contemporâneo. O foco desta edição nas impressões e materialidades permite que o público tenha contato com a cultura nativa expressa em suportes variados, que transitam de forma fluida entre a literatura independente, a moda autoral, as publicações impressas e as artes visuais clássicas. O projeto foi aprovado na prestigiada Seleção Petrobras Cultural e conta com a realização da Oráculo Comunicação, Educação e Cultura, prevendo ainda itinerâncias pós-São Paulo pelas capitais de Salvador e Brasília.
Os organizadores apontam que o conceito desta edição estabelece uma brincadeira estética intencional entre as exposições de arte tradicionais e as feiras independentes de publicações, permitindo mapear com fidelidade as criações coletivas gestadas diretamente dentro das aldeias. A equipe curatorial ressalta que as obras atuam como verdadeiros documentos vivos da existência e resistência indígena, carregando a memória geográfica e mística de seus territórios de origem para dentro do ambiente urbano. Um dos diferenciais marcantes do espaço é sua expografia inovadora, que teve a planta da galeria paulistana adaptada para replicar fielmente a complexa organização social e geográfica de uma legítima aldeia do povo Boe Bororo.
A consolidação da Mostra na cena cultural contemporânea
A trajetória histórica do projeto evidencia um amadurecimento metodológico contínuo sobre o papel da mídia e das comunicações na preservação das identidades nativas. Enquanto as edições anteriores debateram o impacto das produções audiovisuais e das tecnologias virtuais na virada do século, o ciclo atual celebra a herança tátil e duradoura da escrita, do grafismo e das artes plásticas. Ao ocupar espaços de destaque no mercado de arte formal, o Coletivo Rembyapó não apenas insere o Espírito Santo na vanguarda do movimento etnomidiático, mas reafirma a arte como uma ferramenta de autonomia política e salvaguarda espiritual para as futuras gerações.
Ponto de Vista
Ver o talento dos artistas indígenas de Aracruz conquistando o coração do mercado de arte em São Paulo é um orgulho imenso para o Espírito Santo. Isso prova que as políticas públicas de incentivo à cultura geram frutos reais e dão voz a quem guarda a nossa verdadeira identidade. Se você valoriza a arte com raiz e propósito, acesse a plataforma do projeto e conheça a fundo o trabalho desse coletivo maravilhoso!
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Chaski Comunicação e Produção Cultural | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba


