Desigualdade mantém 708 milhões de mulheres fora do mercado de trabalho
Cerca de 708 milhões de mulheres permanecem fora da atividade econômica global em razão da sobrecarga com o cuidado não remunerado e da escassez de tempo disponível. Segundo o Panorama de Gênero 2025, elaborado pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, a sub-representação feminina não é um fato casual, mas um padrão estrutural que restringe a influência das mulheres nos espaços de decisão.
Para a especialista em oratória Fabiana Bertotti, o custo de se posicionar profissionalmente ainda recai de forma desproporcional sobre as mulheres. Ela destaca que a firmeza feminina, necessária para a liderança, muitas vezes gera penalização social, um fenômeno que molda comportamentos e gera silenciamento com custos financeiros reais.
O impacto da tecnologia e os novos desafios da inteligência artificial
Mesmo quando ingressam no mercado, as mulheres enfrentam barreiras rígidas à progressão profissional, concentrando-se em ocupações de menor remuneração. No setor de tecnologia, a desigualdade é profunda: as mulheres representam apenas 29% da força de trabalho global e ocupam apenas 14% dos postos de liderança. O estudo alerta que a inteligência artificial ameaça 28% dos empregos femininos, contra 21% entre os homens.
Clara Cecchini, especialista em inovação, alerta que a tecnologia muitas vezes intensifica o ritmo de demandas em vez de diminuir a carga. “Justiça de gênero, na era da IA, significa impedir que a eficiência digital se sustente à custa de exaustão invisível”, afirma a especialista, ressaltando que a expectativa de adaptação irrestrita aprofunda a pressão sobre as mulheres que já acumulam múltiplas jornadas.
Transformação cultural nas empresas e na educação básica
No ambiente corporativo, Vivian Rio Stella avalia que gestos simbólicos em datas comemorativas já não bastam para responder às tensões estruturais. Ela defende que é necessário deslocar a conversa para a cultura organizacional, reconhecendo que as mulheres trazem outras formas de pensar que realizam o trabalho, promovendo linguagem, escuta e reflexão como matéria-prima de mudança.
No campo da educação, o desafio é reintegrar 122 milhões de meninas que estão fora da escola em todo o mundo. Vitor Azambuja, CEO do projeto De Criança Para Criança (DCPC), propõe o uso de ferramentas narrativas para crianças como forma de ampliar a consciência sobre direitos e igualdade desde a infância. “A construção de uma sociedade mais justa começa com uma educação sólida desde a infância”, pontua Azambuja, utilizando referências como Malala Yousafzai para transformar informação em reflexão prática.
O papel da oratória e do posicionamento estratégico
Para superar as barreiras financeiras e sociais, o treinamento da voz feminina surge como um ativo profissional indispensável. Fabiana Bertotti reforça que o posicionamento estratégico é essencial para romper a estrutura que silencia a presença feminina em parlamentos nacionais e cadeiras de liderança corporativa. Enfrentar a desigualdade exige, portanto, uma ação conjunta entre políticas públicas, cultura empresarial e educação de base.
Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Bartira Betini | Foto: Divulgação Canva | Redação: Informe Capixaba | Suporte: IA


