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Leitura: “Fevereiro Laranja”: Sesa alerta para do diagnóstico precoce e para a conscientização da doação de medula óssea
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“Fevereiro Laranja”: Sesa alerta para do diagnóstico precoce e para a conscientização da doação de medula óssea

Última Atualização 3 de fevereiro de 2026 00:02
13 min de leitura
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Está começando a campanha ‘Fevereiro Laranja’, com o objetivo de fortalecer a luta contra a leucemia, um tipo de câncer que afeta tanto a população infantojuvenil quanto adultos. Durante o mês de fevereiro, a Secretaria de Saúde (Sesa) chama atenção para a importância do diagnóstico precoce e da conscientização da doação de medula óssea, que ajuda a salvar muitas vidas.

No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a leucemia ocupa a 10ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes na população brasileira (desconsiderando o câncer de pele não melanoma). Para cada ano do triênio, 2023-2025 (vigente em 2026), estimam-se mais de 11.500 novos casos.

No Espírito Santo, para cada ano do triênio, são 240 novos casos, sendo de 120 a estimativa em homens (taxa bruta de 5,91 por 100 mil habitantes) e 120 a estimativa em mulheres (taxa bruta de 5,74 por 100 mil habitantes).

Neste cenário, a responsável técnica do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Câncer, da Sesa, Cinthia Guerra destaca que o ‘Fevereiro Laranja’ vai além da conscientização.

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“É um chamado à ação para o diagnóstico precoce, que é o divisor de águas entre o sucesso do tratamento e a progressão da doença, tanto em adultos quanto no público infantojuvenil, aumentando significativamente as chances de sucesso no tratamento, especialmente em casos de evolução rápida como as leucemias agudas”, reforçou a enfermeira.

Além da conscientização da leucemia, com o ‘Fevereiro Laranja’, também faz parte do mês o “Dia Mundial do Câncer”, que tem no dia 04 de fevereiro uma oportunidade para disseminar informações sobre prevenção e controle do câncer, e levar questões atuais sobre a doença à população em geral.

A doença

A leucemia é um tipo de câncer que causa o crescimento acelerado e anormal nas células do sangue, responsáveis pela defesa do organismo, os leucócitos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de cura, e, com isso, os especialistas alertam para sintomas como anemia, cansaço e fadiga, queda de imunidade, baixa na contagem de plaquetas, infecção, febre, hematomas e sangramentos espontâneos.

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais, como o hemograma, mas deve incluir ainda exames de bioquímica, de coagulação, além de mielograma, imunofenotipagem e cariótipo, que são os exames de medula óssea.

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Os principais sintomas decorrem da falha na produção de glóbulos vermelhos (ocasionando anemia), de glóbulos brancos (deixando o organismo mais sujeito a infecções) e de plaquetas (causando sangramentos, manchas roxas ou pontos vermelhos sob a pele). Os sintomas mais frequentes são:

– Fraqueza;

– Sangramentos;

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– Manchas roxas no corpo;

– Dores nas pernas;

– Febre;

– Gânglios aumentados;

– Dor e aumento na região esquerda do corpo (baço).


HINSG é referência no diagnóstico e tratamento da leucemia infanto-juvenil

No Espírito Santo, o Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG) é referência para o diagnóstico e tratamento da leucemia pediátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado com os pacientes que têm a doença, que corresponde a cerca de 30% dos casos atendidos, ultrapassa o tratamento clínico.

A chefe do Núcleo de Onco-Hematologia, Tânia Bitti, destaca que o diagnóstico precoce da doença amplia significativamente as chances de sucesso terapêutico e contribui para a redução de complicações ao longo do tratamento. Ela explica também que, no HINSG crianças e adolescentes são acompanhados de forma integral, “considerando não apenas os aspectos físicos da doença, mas também as dimensões social, emocional e espiritual”.

Esse olhar ampliado, reforça, é essencial para enfrentar um processo que costuma ser longo, desafiador e, muitas vezes, marcado por períodos prolongados de internação e isolamento. “Nesse contexto, a atuação de uma rede de apoio estruturada é indispensável para oferecer suporte às famílias, que também vivenciam medos, inseguranças e mudanças profundas em sua rotina”, ressaltou Tânia Bitti.

Além da assistência clínica especializada, o hospital conta com uma rede de apoio intersetorial que fortalece o tratamento e amplia o cuidado, com apoio da Secretaria da Educação (Sedu), que disponibiliza profissionais para o acompanhamento pedagógico durante o período de tratamento, garantindo a continuidade da vida escolar mesmo em situações de internação ou afastamento. Soma-se a esse suporte a atuação da Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (ACACCI), casa de apoio que recebe as crianças e seus familiares, oferecendo acolhimento, suporte social e melhores condições para enfrentar esse momento delicado.

Além disso, para tornar o acompanhamento ainda mais eficaz, a instituição realiza o matriciamento, ou o apoio matricial com a Atenção Primária à Saúde, promovendo a integração entre os principais atores envolvidos no tratamento e no suporte à criança com leucemia. Desta forma, a articulação fortalece o cuidado em rede, amplia a comunicação entre os serviços e possibilita um acompanhamento mais próximo e contínuo, inclusive fora do ambiente hospitalar.

Outro avanço relevante no cuidado oferecido às crianças com leucemia atendidas no HINSG é o acesso a terapias inovadoras, como o CAR-T Cell, uma abordagem de alta complexidade que representa uma nova perspectiva para pacientes com quadros mais desafiadores e refratários aos tratamentos convencionais. Um marco significativo para o serviço foi o caso de uma criança acompanhada pelo hospital que foi submetida à terapia com CAR-T Cell há cerca de um ano e meio e, desde então, permanece livre da doença.

“Essa experiência evidencia como a qualificação do serviço, a participação em estudos multicêntricos e o trabalho articulado em rede ampliam as possibilidades terapêuticas e impactam diretamente a vida de crianças e adolescentes com câncer. No contexto do ‘Fevereiro Laranja’, esse exemplo simboliza o avanço da ciência aliado ao cuidado humanizado, mostrando que investir em diagnóstico precoce, tratamento integral e inovação salva vidas e transforma histórias”, alertou Tânia Bitti.


Cuidados com crianças e adolescentes

De acordo com a oncologista pediatra do Núcleo de Tratamento de Onco-Hematologia (NTOH/HINSG), Camila Barros Braga Miranda, os primeiros sintomas e mais comuns em crianças e adolescentes em relação à leucemia resultam da infiltração da medula óssea e da falência medular, com isso eles podem apresentar palidez, cansaço, fraqueza; febre persistente ou recorrente; infecções de repetição; sangramentos; perda de peso, inapetência, entre outros.

A profissional pontua ainda que a maioria dos casos não tem causa identificável, mas estão associados a síndromes genéticas; exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia; doenças hematológicas prévias; predisposição genética ao câncer.

Para o diagnóstico, a suspeita clínica-laboratorial por um hemograma, com a confirmação da avaliação medular através do aspirado de medula óssea (mielograma e imunofenotipagem por citometria de fluxo). Quanto ao tratamento, a profissional destaca que deve ser realizado em centros especializados em oncopediatria e depende do tipo e do estadiamento, classificação de risco, e explica: “As principais modalidades de tratamento são a combinação de quimioterapias via sistêmica e também intratecal em alguns casos (base do tratamento). Existem as terapias-alvo e imunoterapias para situações muito específicas. E o transplante de medula óssea para os casos específicos de doença refratária, recidiva e alto risco”, disse. A duração do tratamento para a leucemia linfoide é de cerca de dois anos e meio a três anos. Já a mieloide, cerca de seis meses até um ano.


Cuidados paliativos no HINSG para crianças com câncer

Outro diferencial importante do HINSG é a atuação da Residência Multiprofissional em Cuidados Paliativos, do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), que atualmente conta com 17 residentes no hospital. A equipe contribui de forma significativa ao antecipar e manejar sintomas e situações de desconforto que podem surgir durante o tratamento.

O psicólogo Saulo Miguel faz parte da equipe dentro do setor oncológico da unidade. “Por ser uma residência multiprofissional, várias áreas trabalham em conjunto, como Enfermagem, Psicologia, Farmácia, Fonoaudiologia, Assistência Social, Nutrição, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. Essa diversidade de profissões nos permite atender o paciente em sua totalidade. Durante nosso trabalho, desde o momento do diagnóstico, tentamos entender quem de fato é aquele paciente e seus familiares, identificando sua rede de apoio, questões físicas, psicológicas, espirituais e sociais”, frisou.

Ele explica que a partir dessa compreensão, são desenvolvidas ações voltadas a tornar o período de hospitalização mais acolhedor e menos desgastante. “A vivência hospitalar representa um desafio não apenas pelo desconforto físico, mas também pelos impactos emocionais, sociais e familiares envolvidos. Por isso, são realizadas atividades e ações focadas nessas questões, contribuindo para a diminuição dessas angústias, com alívio do sofrimento e promoção do bem-estar e da qualidade de vida”, contou o psicólogo.

Doação de Medula Óssea

A conscientização da população para a importância da doação da Medula Óssea é fundamental para salvar pacientes acometidos pela leucemia. Dados indicam que ao surgir a necessidade de um transplante de medula óssea, a chance de encontrar um doador compatível com o receptor é de 1 para 100 mil pessoas.

Além disso, nem sempre é possível encontrar uma pessoa compatível dentro da própria família, sendo necessário buscar alternativas nos registros de doadores voluntários. Por isso, é essencial campanhas como o ‘Fevereiro Laranja’ para alcançar o maior número de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

A diretora-técnica do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes), Soraya Almeida, ressalta que em 2025 foram 3.718 novos doadores de Medula Óssea cadastrados. Ao todo são 5,9 milhões de voluntários cadastrados no banco do Hemoes.

Para realizar o cadastramento, é necessário a pessoa ter entre 18 e 35 anos e 6 meses, e comparecer ao Hemoes Vitória ou a um Hemocentro Regional (Linhares, Colatina ou São Mateus), ou em campanhas pré-agendadas de Coleta Externa ou ações de Unidade Móvel (ônibus) do Hemoes, portando um documento oficial com foto. Não é necessário agendar, nem estar em jejum. Estando saudável, qualquer pessoa dentro da faixa etária pode se cadastrar.

Após o cadastro, o doador é encaminhado para a sala de coleta, onde será retirada uma amostra de sangue do braço, para que possa ser feito o exame de compatibilidade e inseri-lo no sistema Redome. O cadastro de receptores é nacional, pelo Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Estes dois cadastros cruzam informações para busca de doadores e receptores compatíveis. O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade.

Para mais informações sobre como se tornar um doador de medula óssea, o cidadão pode acessar os sites: https://redome.inca.gov.br/doador/como-se-tornar-um-doador e https://hemoes.es.gov.br/medula-ossea.

por: Syria Luppi / Luciana Almeida / Clarissa Figueiredo / Danielly Campos / Thaísa Côrtes / Ana Cláudia dos Santos/ Wing Costa / Mayra Scarpi / Cecília Ribeiro/ Rachel Martins

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