
Baixa procura por oftalmologista, aliada às enfermidades silenciosas, facilita o surgimento
de problemas ópticos que, quando não detectados previamente, podem levar à cegueira
No último dia 22 de setembro, ocorreram ações que visam conscientizar sobre a
importância de manter a saúde e o bem-estar de adolescentes e jovens em todo país. A
data foi escolhida pelo Ministério da Saúde por ser comemorada simultaneamente no Dia
Nacional da Juventude. “Após a infância, os pais tendem a levar poucas vezes os filhos a
uma consulta com um oftalmologista, o que facilita a propagação de doenças silenciosas,
podendo causar danos irreversíveis à visão”, diz o Dr. Fernando Ramalho, especialista
em cirurgia refrativa no Oftalmos – Hospital de Olhos, em Santa Catarina.
O Dr. Fernando lista algumas doenças silenciosas que podem ocasionar problemas graves
de visão:
Glaucoma: Na maioria dos casos o glaucoma surge devido ao aumento da pressão
intraocular. Essa alteração lesiona o nervo óptico, levando à perda da visão periférica, ou
seja, das laterais do campo visual. É como se o paciente só conseguisse enxergar o que
está à sua frente.
Retinopatia diabética: Afeta pessoas com diabetes (é muito comum em jovens diabéticos)
e, no início, pode não apresentar sintomas. Com o tempo, pode danificar os vasos
sanguíneos da retina, levando à perda de visão.
Descolamento de retina: O descolamento de retina pode ser indolor e apresentar alguns
sintomas iniciais, como flashes de luz ou visão prejudicada, mas pode causar perda de
visão permanente se não for tratada rapidamente.
Catarata: Embora seja mais comum em pessoas idosas, a catarata pode se desenvolver de
forma lenta e silenciosa já na adolescência, causando visão embaçada e eventual cegueira,
sem dor ou sinais imediatos.
Neuropatia óptica isquêmica: Essa condição ocorre devido à perda do fluxo sanguíneo
para o nervo óptico, muitas vezes sem sintomas dolorosos, resultando em perda súbita de
visão.
Ceratocone: É uma doença bilateral e assimétrica, ou seja, pode acometer os dois olhos,
em graus diferentes, e progride de forma distinta com o passar do tempo. A principal queixa
é a visão embaçada e distorcida. Ceratocone não tem cura, mas tem tratamento. Quanto
mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de estabilização do quadro clínico,
não sendo necessário o auxílio de cirurgia. A condição é a principal causa de todos os
transplantes de córnea no país.
O especialista do Oftalmos destaca que, embora algumas doenças oftalmológicas não
tenham cura, existem tratamentos. O diagnóstico precoce aumenta as chances de uma boa
recuperação e, independentemente da idade, é possível ter uma vida saudável com
acompanhamento médico adequado.
Por: Guilherme Farget/ Crédito: Freepik


