
A Economia do Cuidado é um termo relativamente novo e contempla serviços voltados para manter ou restabelecer o bem-estar do outro ou, ainda, desenvolver capacidades – físicas, sociais, emocionais – no outro. Serviços relacionados à saúde, bem-estar e suporte doméstico familiar estão contemplados nessa categoria. Pessoas idosas, crianças, doentes ou profissionais que não conseguem se dedicar às rotinas domésticas são clientes desses serviços.
A Economia do Cuidado é uma tendência global, que vem ganhando força a cada dia. Novas oportunidades estão sendo desenhadas para a juventude e isso vai gerar cerca de 299 milhões de empregos até 2035, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Vejamos alguns fatores que estão contribuindo para que nossa atenção com a saúde aumente:
Novas configurações familiares: com menos jovens nas famílias e mulheres conseguindo mais oportunidades de trabalho, atividades de cuidado de idosos, crianças e pessoas com deficiência, por exemplo, estão passando por profissionalização. Isso faz com que novas ocupações, além das tradicionais, relacionadas aos cuidados com a saúde, passem a ser demandas. Alguns exemplos: cuidador de idoso, cuidador infantil, empregadas domésticas, passeadores para animais, entre outras.
A pandemia da Covid-19 e seus efeitos: a procura por serviços de saúde aumentou a demanda por profissionais como enfermeiros, psicólogos, médicos, nutricionistas e demais atividades de apoio à saúde. Associado ao aumento da procura pelos serviços de saúde, algumas dessas profissões tornaram-se mais bem remuneradas. Houve uma reconfiguração e o mercado de trabalho em saúde passou a ter menos profissionais de nível superior disponíveis. Há uma tendência de valorização e demanda por profissionais de nível técnico e auxiliar, como por exemplo o técnico e o auxiliar de enfermagem.
A pirâmide etária da população brasileira: aos poucos estamos deixando de ser um país de jovens e isso gera impactos na economia e no mundo do trabalho. Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que até 2100 teremos mais de 40% da população composta por pessoas idosas. Com isso, a demanda por serviços para os idosos será maior. Não só as carreiras de atenção à saúde, mas aquelas relacionadas ao bem-estar. Alguns exemplos: treinadores e instrutores físicos, recreacionistas, fisiologistas do exercício, coaches de saúde e bem-estar, cabeleireiras, manicures e outras.
Essa nova sociedade, que envelhece e valoriza os cuidados com a saúde, tem criado oportunidades de carreira para os jovens. Nos últimos anos, a procura por cursos de medicina, enfermagem e psicologia aumentaram, de acordo com o último censo da educação superior. A partir de um novo movimento, a atenção estará voltada para cursos técnicos e de curta duração, com formação mais rápida, com os conhecimentos e as competências mais valorizados pelo mercado.
Por Richardson Schmittel
Sobre o autor
Richardson Schmittel é Diretor Regional do Senac-ES, Doutor em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Mestre em Administração pela FUCAPE Business School. Com ampla experiência na área educacional, Schmittel tem se dedicado em promover a qualificação profissional e a inovação na educação como catalisadores para o desenvolvimento econômico capixaba. Ele também é membro da Câmara Empresarial do Turismo (CET-ES) e do Conselho Científico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (CCAF – Fapes).
Schmittel é um dos painelistas do Conexa H 2024, o maior congresso de gestão de pessoas do Espírito Santo. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Espírito Santo (ABRH-ES) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), no dia 19 de junho, no Centro de Convenções de Vitória.
Por : Sergio Filho/ Foto: Divulação


