
As oficinas sobre a linguagem e as técnicas de animação realizadas pelo Instituto Marlin Azul reúnem crianças e adolescentes atendidos pela Casa de Atendimento e Orientação a Criança e o Adolescente (Caoca)
João Carlos tem dez anos e mora no meio rural com a família. Certa noite, ao perceber o desaparecimento da irmã mais nova, o menino parte em uma jornada para encontrá-la. Este é o ponto de partida da história que está sendo transformada em filme de animação por crianças e adolescentes da região da Grande Goiabeiras, em Vitória (ES), dentro do projeto “Animação na Caoca”. A ideia do curta-metragem “O Gato da Minha Irmã” é propor temas como diversidade e preconceito para serem debatidos em comunidade.
Com idade entre 8 e 17 anos, as crianças e adolescentes se dividiram em grupos para participar das oficinas sobre a linguagem e as técnicas de animação. Depois de criarem a história e montarem o roteiro na primeira oficina (26 a 30 de junho), os alunos começaram a desenhar e a animar as cenas durante a segunda oficina (10 a 13 de julho) e a terceira oficina (24 a 27 de julho) e, agora, na quarta oficina (28 a 31 de agosto), animarão as últimas cenas. A quinta oficina acontecerá de 11 a 14 de setembro, e na ocasião, a atividade de inclusão e formação audiovisual envolverá os alunos na finalização do curta-metragem animado.
Após esta etapa, o filme será lançado em sessões de cinema acompanhadas de debates, reunindo os jovens criadores, seus familiares e a comunidade em geral. As exibições acontecerão na sede da Caoca, em escolas municipais e outras instituições sociais localizadas na região.
“Animação na Caoca” tem por objetivo principal envolver e sensibilizar crianças e adolescentes, assim como familiares e a comunidade, em torno do diálogo, da reflexão e do debate sobre temas que possam ampliar a conscientização e contribuir para o combate às violações de direitos humanos e sociais. Ao mesmo tempo, os participantes têm uma vivência de iniciação à linguagem e às técnicas de animação através da articulação entre vários saberes, da difusão de tecnologias de informação e comunicação e da atuação em rede. O projeto foi selecionado em edital do Fundo Municipal da Infância e Adolescência por meio da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Vitória e tem a realização do Instituto Marlin Azul, em parceria com a Casa de Atendimento e Orientação a Criança e o Adolescente (Caoca).
O processo de criação até agora
A primeira turma se reuniu na oficina de roteiro para uma roda de conversa a fim de criar uma história que abordasse situações envolvendo a luta pelo respeito à diversidade e às diferenças. Com a orientação da cineasta Luelane Corrêa, as crianças e adolescentes compartilharam relatos e opiniões, trocaram ideias e costuraram argumentos por meio de um processo lúdico, colaborativo e criativo.
Os grupos nas demais oficinas refletiram sobre a temática do roteiro, experimentaram os brinquedos ópticos – que criam a ilusão do movimento e ajudam a entender o princípio básico do cinema de animação – e começaram a desenhar e a animar as cenas da obra, utilizando técnicas como Desenho 2D, stopmotion em massinha e recorte. Os meninos e meninas também gravaram os diálogos do curta através de exercícios de improvisação para atuação dramática. As oficinas de animação tiveram a orientação das animadoras Marinéia Anatório, Ariane Piñeiro e Analúcia Godoi, além da produção da artista plástica Yvana Belchior.
Sobre o Instituto Marlin Azul
O Instituto Marlin Azul é uma associação sem fins lucrativos criada em 1999 cuja finalidade é promover ações direcionadas à cultura, à arte e à educação, democratizando o acesso à produção e fruição de bens culturais. Em 24 anos de atividade, a instituição vem desenvolvendo diversos projetos sociais, culturais e audiovisuais voltados para diferentes públicos do Espírito Santo e do Brasil. Além do Projeto Animação na Caoca, a instituição desenvolve ações como o Projeto Animação, o Revelando os Brasis, o Curta Vitória a Minas, o Cine Animazul, o Cine Quilombola, o Cinema de Griô, os Griôs de Goiabeiras e o Memória do Barro. Para conhecer os projetos, acesse institutomarlinazul.org.br.
Por Simony Leite Siqueira


