
Claudio Denicoli, secretário de Meio Ambiente da Serra, fez duras críticas ao serviço prestado pela Cesan e pela Ambiental Serra aos deputados estaduais.
Claudio Denicoli disse durante reunião da Comissão de Meio Ambiente, presidida por Gandini, que Estações de Tratamento de Esgoto funcionam de forma irregular no município, e pôs em xeque análises feitas por empresa responsável em tratar o esgoto no município
“Estamos estarrecidos com a proposta (da Cesan) de lançar efluente no mar. É preocupante! Nós não fomos notificados disso. Soubemos que foi apresentado ao Ministério Público, que não é o fórum de discussão”. A afirmação, em tom de crítica e desabafo, é do secretário de Meio Ambiente da Serra, Claudio Denicoli.
O secretário contou que encaminhou ofícios aos órgãos de controle, mas fez um alerta: “Se fizermos isso, esquece nosso turismo. Esquece nossas praias de Manguinhos, de Balneário Carapebus. É uma situação absolutamente preocupante!”
A Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) estuda usar um método chamado de emissário submarino, que apresentou ao Ministério Público da Serra. Ele consiste em um sistema de estações de bombeamento que levarão o esgoto da cidade até uma estação em Jacaraípe, onde ele seria tratado e levado, então, por uma tubulação de um quilômetro até o fundo do mar.
As críticas de Denicoli à Cesan e à Ambiental Serra, empresa que atua no município por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) para operar e ampliar o sistema de esgotamento sanitário, ocorreram durante a reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente, na última quinta-feira (6), na Assembleia Legislativa.
O encontro, que foi organizado pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), tratou das constantes reclamações dos moradores, que afirmam que a água distribuída no Estado é de má qualidade (barrenta ou salobra), há falta de abastecimento e de saneamento básico nos municípios.
No momento da sua fala, o secretário surpreendeu a plateia – formada por representantes da Cesan, do Ministério Público, autoridades, vereadores, secretários municipais e ambientalistas – e não poupou críticas à empresa pública, apesar da parceria entre o governo do Estado e o prefeito Sergio Vidigal (PDT).
“Essa PPP da Serra começou em 2013 e não vimos melhorias no tratamento de esgoto. A previsão da Serra é até 2043 ter um milhão de habitantes. Se o sistema está colapsado hoje, imagina daqui a 20 anos. As 21 estações de tratamento são obsoletas. A Cesan nunca admitiu que tem um problema, sempre tenta desqualificar a gente”, lamentou.
LABORATÓRIO
Por essa razão, segundo Denicoli, a Prefeitura da Serra contratou um laboratório de São Paulo para fazer as análises, cujos resultados são bem diferentes dos apresentados pela Cesan e pela Ambiental Serra que, segundo ele, também fez coletas, porém “por meio de um servidor da própria empresa, sem a menor qualificação, critério e desrespeitando a metodologia do que recomenda a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
“Fizemos uma (análise) em dezembro, no período chuvoso, e outra que sairá o resultado agora, que certamente será pior. Das 21 estações de tratamento, oito sujam o esgoto. Nossos rios não comportam mais essa carga orgânica. Foi feito o contrato de programa para o lançamento de oito Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Nenhuma delas tem outorga. Todas estão operando de forma irregular”, denunciou o secretário.
Para citar um exemplo, Denicoli afirmou que a ETE de Manguinhos, que é a “melhor estação”, lança o dobro da carga orgânica que a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agehr) autorizou, e que, por isso, as lagoas estão tomadas por plantas aquáticas, como taboa, gigoga e alface d’ água, por causa do excesso de nutrientes.
“Num futuro bem próximo, não teremos nem lâmina d´água mais. A carga é de mil litros de esgoto por segundo sem tratamento. Nossa melhor ETE tem 40% de eficiência. Há outra que trabalha com 15%. A Ambiental Serra não tem outorga para lançar e não sabe o que fazer com as ETEs”, insistiu.
Denicoli afirmou que a solução é investir em tecnologia nas estações que existem lá, mas que isso não tem sido feito. Segundo ele, “o investimento da PPP há 10 anos é em redes coletoras porque a empresa arrecada 80% da rede que está na frente do usuário”.
O secretário se disse pressionado a multar o usuário que não se liga à rede. “Como eu multo uma casa em que as pessoas vão pagar por um esgoto que vai ser sujado pela estação de tratamento? Eu tenho provas disso”, garantiu.
Ao concluir a sua fala, Denicoli relembrou a proposta da Cesan e fez uma indagação: “Como lançar o efluente a um quilômetro no mar? Mesmo que isso fosse dar certo, não há estudo! E se essa fosse a solução, vamos continuar lançando mil litros de esgoto sem tratamento nos nossos mananciais? E a nossa captação de água, como vamos fazer?”
Denicoli pediu a revisão do contrato com a PPP no município e cobrou mais diálogo da Cesan com a prefeitura.
Crédito. Lucas Costa/Assembleia Legislativa.


