
Aldieris Brás Amorim Caprini, desde pequeno tinha vontade de ser professor e curiosidade para saber a história do seu município. Iconhense, nascido em 1980, em uma família com raízes na cidade, não encontrava material necessário para satisfazer esse seu desejo. Cresceu e resolveu, então pesquisar sobre o tema. Esse trabalho resultou no livro “O Coronel e o Comércio”.
Foi a curiosidade que moveu Aldieris. “Sempre gostei muito de História. Quando eu estudava, no Fundamental e no Médio, na escola não tinha material, nem suporte para conhecer a história do município. Por querer ser professor, fiz o curso de História. Com outros colegas, montamos o Instituto Histórico de Iconha, onde começamos a trabalhar levantando a história de Iconha e fizemos um livro didático sobre a história do município, com diversos autores. Meu mestrado teve como tema o comércio como propulsor do poder político em Iconha, estudando e discutindo como o Coronel Duarte se tornou o “Senhor” da região. Este trabalho de mestrado resultou em diversas publicações. Tenho trabalhos publicados em livros, sobre a região de Iconha e Piúma, publicados em revistas, livros, e também esse livro que agora estou lançando”.
Conhecendo nossas raízes conhecemos a nós mesmos. “O que me levou à essa pesquisa foi o desejo de resgatar a história da minha região, a história local. Hoje eu publico sobre a história do Espírito Santo, especialmente da região Sul, e também sobre formação de professores e relações étnico-raciais”.
“Continuo escrevendo, quero ampliar a história da região, pesquisando mais sobre Iconha, Rio Novo do Sul, Itapemirim, continuar pesquisando sobre essa região, sobre relações étnico raciais, e continuar publicando. São as minhas futuras projeções”.

Currículo
Pós-doutor em Educação pela USP, doutor em Educação (Currículo) pela PUC/SP, mestre em História pela Universidade Federal do Espírito Santo e licenciado em História pela Faculdade São Camilo/ES. Professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Desenvolve estudos, pesquisas e publicações na área da Educação, nos temas formação de professores e diversidade étnico-racial, e em História sobre a História do Espírito Santo.
Sobre o livro
As práticas coronelísticas e as relações de poder estabelecidas na região do Vale do Rio Iconha são apresentadas nessa obra a partir da análise de como a Casa Comercial Duarte e Beiriz proporcionou o poder político ao coronel comerciante Antônio José Duarte demonstrando assim, especificidades da organização política, econômica e social em determinado território capixaba. Para tanto, o estudo trabalhou com a política na Primeira República a partir dos aspectos conceituais que permeiam o cenário nacional, mas levando em consideração o contexto regional capixaba.
A obra aborda a chegada, na segunda metade do século XIX, dos imigrantes portugueses José Gonçalves da Costa Beiriz e, especialmente, Antônio José Duarte nas localidades de Iconha e Piúma – região sul da então província do Espírito Santo. Esses forasteiros se tornam grandes comerciantes e estendem seu poder econômico à política, formando uma “nobreza local” por meio do comércio. Antônio José Duarte veio sozinho para o Brasil com 12 anos, e desembarcou no Rio de Janeiro indo para a região mais tarde. Os dois portugueses chegam sem posses e trabalham como empregados para empresas que extraíam matéria prima no lugar para exportar aos grandes centros e no pequeno comércio. Verificando o potencial da região que iniciava o povoamento e a ocupação agrícola, os portugueses se associam e montam uma Casa Comercial, denominada Duarte e Beiriz, com as pequenas posses que acumularam e com empréstimos. A firma comercial doou terreno para que fossem construídas ruas, órgãos públicos, cemitério, igreja e escola, organizando a vida urbana e centralizando ao seu redor as relações sociais e política. Vale destacar ainda que os imigrantes estrangeiros, especialmente os italianos, compravam terras de propriedade dos coronéis e dependiam deles para venderem a produção de café. Nesse cenário, o negócio prospera e se tornam os senhores da região, com influência política até no poder provincial e comercializando com redes mercantis da Capital da província e do Rio de Janeiro. Dessa forma, o capital comercial detido por empresários de origem portuguesa se acumula e proporciona a formação de relações de poder em uma região do Espírito Santo no contexto político da Primeira República.
Clique no link e experimente um “aperitivo” do livro:
https://editoramilfontes.com.br/acervo/O_coronel_e_o_comercio.pdf


