
Um parque de energia eólica offshore está em desenvolvimento, no litoral do Espírito Santo, na área de Presidente Kennedy, Marataízes e Itapemirim, com sede no Porto Central, o que confirma a avalanche de empresas por um lugar nesta nova fronteira de geração eólica renovável no país.
A Votu Winds, empresa de energia eólica offshore recém-criada com sede no Rio de Janeiro, vê a possibilidade de instalação de aerogeradores em 480 MW, em três fases, totalizando 1.440 MW de capacidade instalada.
“A nossa política é de primeiro ir aos órgãos oficiais, apresentar os documentos às instituições competentes, para só então divulgar à imprensa, torná-lo público. Não existe caminho definido. É muito difícil afirmar que a gente vai fazer porque depende da avaliação das agências. O que posso te dizer é que existe bastante estudo e estamos fazendo um trabalho para viabilizá-lo”, disse Thierry Dor, representante da Votu Winds.
A empresa optou por uma região com intensa atividade de energia eólica offshore, graças aos seus complexos portuários, movimentação de cargas e atividades de exploração e produção de petróleo e gás.
Os parques eólicos Votu Winds são projetados para a região entre os municípios de Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, próximo à divisa com o Rio de Janeiro.
Estão localizadas entre o Porto do Açu, no Norte Fluminense, e o Porto Central, no Espírito Santo, que podem servir de base para a construção, instalação e operação de aerogeradores.
Inicialmente, pretende instalar 48 aerogeradores com capacidade de 10 MW em cada parque eólico. O projeto considerou as características dos aerogeradores SG 10.0-193 DD da Siemens Gamesa, mas a empresa enxerga a possibilidade de ganhos de escala, com a instalação de aerogeradores mais potentes.
Os aerogeradores de maior capacidade do parque eólico são uma tendência tanto entre os desenvolvedores de novos projetos, como os brasileiros, quanto entre os operadores de parques eólicos em mercados mais consolidados, como Europa ou Ásia.
A Neoenergia, subsidiária da Iberdrola, por exemplo, considera aerogeradores de 15 MW no licenciamento de parques eólicos no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará, complexos com capacidade de 9 GW.
Pegando como exemplo a Equinor, que, por sua vez, optou por aerogeradores de 12 MW para o parque eólico Aracatu I e Aracatu II, no Rio de Janeiro. Está previsto um potencial total de 4 GW a 6,7 GW, lembrando que ainda são projetos em fase de licenciamento ambiental.
Para o presidente da Associação Brasileira de Eólicas Marítimas (Abemar), Marcello Storrer, a proposta de mais negócios nessa área é positiva para o setor e importante para estimular investimentos na área de energia renovável no Brasil. Ele pondera, entretanto, que ainda é preciso avançar muito em relação às autorizações e normas para a implantação de parques eólicos offshore.
Outra fonte lembra que o Brasil precisa ter uma diretriz voltada para oferecer mais energia limpa e renovável, mas pondera que será necessário debater e superar algumas discussões, como se esse tipo de atividade pode vir a criar zonas de exclusão para pesca e navegação. Vale lembrar que o Brasil não tem nenhum parque eólico no mar. Existem projetos em avaliação em órgãos como o Ibama, mas nenhum deles prestes a ser viabilizado.
O empreendimento que estava mais avançado na fase de licenciamento, o Parque Eólico Offshore Caucaia, no Ceará, sofreu recentemente uma derrota. Em agosto deste ano, o Ibama recomendou que o pedido de licença prévia feito pela empresa BI Energia fosse indeferido (negado).


