Há alguns anos, tenho acompanhado o processo de transformação nas escolas com grande esperança. Às vezes como aluna, outras como professora e, mais recentemente, como mãe e educadora sistêmica. A tecnologia sempre representou um desafio nas salas de aula, pois nunca foi totalmente claro como deveria ser utilizada e quais benefícios poderia trazer a esse contexto.
Na década de 90, as escolas começaram a incorporar imagens, sons e vídeos em seu contexto pedagógico, algo que na época era uma grande novidade. Nos anos subsequentes, as questões começaram a ser contextualizadas e a interdisciplinaridade trouxe mais fluidez aos conteúdos. As escolas introduziram laboratórios de informática, mas nenhuma dessas ações representou uma revolução pedagógica significativa.
Há treze anos, fui pioneira em minha escola ao introduzir a ideia do blog pedagógico, algo raro naquela época para fins educacionais. Meu principal objetivo era explorar atividades extracurriculares e convidar os alunos a serem co-criadores da aprendizagem, que não se limitava à sala de aula. Essa iniciativa dividiu os educadores: metade gostou, e a outra metade não. O que é interessante é que algo inovador naquela época não teria o mesmo impacto nos dias de hoje. Os alunos mudam, a tecnologia avança, e a educação precisa se renovar constantemente.
Além desse grande desafio, enfrentamos uma pandemia no meio do caminho. Muitas adaptações foram feitas de forma emergencial, mas ficou evidente que a tecnologia, por si só, não é a protagonista da educação efetiva. Sentimos falta do contato direto, do olhar, da interação e das discussões em grupo. O professor do outro lado da tela do computador trouxe mais a esperança de dias melhores do que a eficiência na transmissão de conteúdos estáticos, que poderiam ser adquiridos de outras maneiras.
Ao retornarmos às aulas presenciais, deparamo-nos com um diagnóstico: um desalinhamento de informações entre os alunos que tiveram acesso à educação online e aqueles que não tiveram. Além disso, uma nova mudança: o recente acesso ao Chat GPT.
A inteligência artificial pode agregar valor à educação (e a outros setores) quando é utilizada de maneira adequada e direcionada. Ela nos auxilia na otimização do tempo, especialmente em atividades burocráticas.
O que não muda, além dos avanços tecnológicos, é o contato pessoal, o incentivo à busca do conhecimento e o respeito pela história de cada aluno. Nesse sentido, a tecnologia deixa claro que o ambiente escolar não é mais (há muito tempo) apenas um local para obter informações, mas sim um espaço para transformar ações diante do vasto conhecimento disponível. Isso redefine o papel do professor, que deixa de ser rígido e autoritário para se tornar um guia das inovações. O professor passa a incorporar a criatividade e a flexibilidade em sua profissão, pois diante dele estão aqueles que moldarão o futuro da humanidade.
Por Ana Paula Carvalho
Educadora Sistêmica
@anapaula.conectarsistemico


