*por Vanuza Oliveira

Completamos um ano que a pandemia chegou ao Brasil. Entramos em isolamento, vimos problemas no sistema público de saúde, crise na economia, flexibilizamos a circulação, passamos pelas eleições, festas de fim de ano, Carnaval e agora retroagimos e estamos de quarentena.
A vacina chegou! Ainda em doses homeopáticas (ainda não tem o suficiente para vacinar todo mundo), mas trazendo junto uma esperança de dias melhores.
O que é a vacina e como devemos nos comportar após sermos imunizados
Vacina: “As vacinas são substâncias constituídas por agentes patogênicos (vírus ou bactérias), vivos ou mortos, ou seus derivados. Elas estimulam o sistema imune a produzir anticorpos (proteínas que atuam na defesa do organismo), os quais atuam contra os agentes patogênicos causadores de infecções. As vacinas são seguras e causam poucas reações adversas, sendo essas, geralmente, leves e de curta duração. Trata-se da principal forma de prevenção de inúmeras doenças”.
Covid 19: Várias vacinas contra a COVID-19 estão sendo estudadas e desenvolvidas em todo o mundo para tentar combater a pandemia causada pelo novo coronavírus. Até ao momento, apenas a vacina da Pfizer está aprovada pela OMS, mas muitas outras se encontram em processo de avaliação.
As seis vacinas que têm demonstrado resultados mais promissores são:
- Pfizer e BioNTech (BNT162): a vacina norte americana e alemã apresentou 90% de eficácia em estudos de fase 3;
- Moderna (mRNA-1273): a vacina norte-americana apresentou 94,5% de eficácia em estudos de fase 3;
- Instituto de Pesquisa Gamaleya (Sputnik V): a vacina russa apresentou 91,6% de eficácia contra a COVID-19;
- AstraZeneca e Universidade de Oxford (AZD1222): a vacina inglesa está em estudos de fase 3 e numa primeira fase demonstrou eficácia de 70,4%;
- Sinovac (CoronaVac): a vacina chinesa desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan demonstrou uma taxa de eficácia de 78% para casos leves e de 100% para infecções moderadas e graves;
- Johnson & Johnson (JNJ-78436735): de acordo com os primeiros resultados, a vacina norte americana parece apresentar taxas de eficácia que variam entre 66 a 85%, sendo que essa taxa varia de acordo com o país onde é aplicada.
Além destas, outras vacinas como a NVX-CoV2373, da Novavax, a Ad5-nCoV, da CanSino ou a Covaxin, da Bharat Biotech, também estão em fase 3 de estudo, mas ainda não possuem resultados publicados.
Mutações do vírus: É uma característica de todo vírus a capacidade de sofrer mutações. É por isso que precisamos, todos os anos, renovar a vacinação contra o vírus Influenza, que provoca a gripe, que é uma doença respiratória de sintomas leves, moderados ou graves, que podem evoluir para pneumonia e levar a óbito se não tratada corretamente.
A vacina é uma forma de atenuar, ou até evitar completamente, os sintomas da doença.
O mesmo acontece com a vacina contra o Covid 19. Nenhuma vacina tem 100% de garantia de imunização.
Depois de tomar a vacina: Primeiro temos que lembrar que a vacina só tem efeito completo após a segunda dose.
É fundamental se vacinar quando chegar a sua vez e não se esquecer de que, tendo em vista o número ainda limitado de vacinas no mundo, será necessário continuar com as medidas preventivas, evitando que o vírus se espalhe e protegendo, dessa forma, a si e aos outros.
Continue a se proteger com atitudes básicas como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel e cobrir a boca com o antebraço quando tossir ou espirrar (ou utilize um lenço descartável e, após tossir/espirrar, jogue-o no lixo e lave as mãos). É importante manter-se a pelo menos 1 metro de distância das outras pessoas. Quando o distanciamento físico não é possível, o uso de uma máscara também é uma medida de proteção. A nível individual, essas medidas de proteção funcionam inclusive contra as novas variantes identificadas até o momento.
Higiene básica pessoal
No começo do século passado, após a epidemia de Gripe Espanhola, aprendemos que a melhor maneira de evitarmos doenças transmissíveis é cuidando da nossa higiene pessoal.
Lavar as mãos com frequência (principalmente após ir ao banheiro), trocar de roupa e tomar banho ao chegar da rua, não entrar com sapatos em casa, higienizar todo e qualquer objeto que vier da rua e, no momento, usar máscara e manter o distanciamento social.
Sistema Único de Saúde (SUS)
O Brasil tem um sistema de saúde pública como pouquíssimos países. Dos países reconhecidos por possuírem sistema de saúde público e universal, como Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Suécia, Espanha, Portugal e Cuba, nenhum tem população superior a 100 milhões de habitantes. O mais populoso é o Reino Unido, com cerca de 66,4 milhões de pessoas. O Brasil tem 209,5 milhões de habitantes, pelo Censo de 2018.
Nos EUA não há um sistema universal de saúde, aos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. O atendimento particular é caro e, em geral, os planos de saúde públicos e privados também.
Deficiências: O SUS ainda deixa muito a desejar, primeiro por se tratar de um custo muito alto e o Brasil ter proporções continentais. Segundo, por conta da corrupção, fraudes e desvios de verbas destinadas à Saúde Pública em todas as esferas.
Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), nos últimos 14 anos, R$ 4.555.960.367,85 que deveriam servir ao Sistema Único de Saúde (SUS) escorreram pelo ralo da corrupção. Esse é o montante de dinheiro desviado da Saúde, entre 2002 e 2015, segundo constatações encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela Controladoria-Geral da União (CGU). A Saúde responde sozinha por quase um terço (29%) dos recursos federais que se perderam no caminho. Ao todo, a União perdeu R$ 15,9 bilhões em desvios.
Mas, com a pandemia, essas deficiências ficaram mais evidentes e está sendo necessário rever vários conceitos e práticas.
Lições da pandemia
Esse tempo em que ficamos em isolamento social, evitando ao máximo sair de casa, assistindo amigos, familiares e desconhecidos sucumbirem à doença. Vendo famílias empobrecidas e passando necessidade, empresários falindo, desemprego aumentando assustadoramente, tivemos tempo de refletir e de desenvolver a empatia, que estava tão em baixa nos últimos tempo.
Precisamos combater o egoísmo e olhar e cuidar não só de quem está na nossa casa, nossa família, mas também ao nosso próximo, nossos vizinhos, nossa cidade, estado, país, nosso mundo. Precisamos ver o mundo, e todo mundo, com os olhos do coração.
E não se preocupe. Isso vai passar e poderemos nos reencontrar, abraçar e beijar quem amamos. Tenha fé!


