O fim da escala 6×1 na legislação trabalhista brasileira passou a ser alvo de profunda preocupação entre lideranças empresariais do Espírito Santo e de todo o país. A Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES), em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), posicionou-se oficialmente sobre os impactos decorrentes da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que sugere a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem a diminuição salarial e o encerramento do modelo tradicional de trabalho.
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Impactos do fim da escala 6×1 nos custos das empresas do Espírito Santo
A principal contestação técnica apresentada sobre o debate do fim da escala 6×1 concentra-se no forte encargo financeiro sobre a folha de pagamento das corporações. De acordo com projeções elaboradas pela CNI, a alteração gerará um acréscimo de R$ 3 bilhões a R$ 4,5 bilhões anuais nos custos de mão de obra formal para as indústrias e comércios capixabas, representando uma elevação direta entre 4,6% e 6,9% nos gastos corporativos atuais. Em nível nacional, a despesa adicional para o setor produtivo pode atingir a marca de R$ 270 bilhões de reais ao ano, variando conforme a decisão do empresariado entre quitar horas extras ou contratar novos funcionários.

O presidente da FINDES, Paulo Baraona, ressalta que o setor industrial reúne operações contínuas e turnos ininterruptos que exigem flexibilidade operacional. Atualmente, o Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade, enfrentando pesados gargalos estruturais e tributários decorrentes do Custo Brasil. Diante desse cenário, a mudança obrigatória impõe a reorganização de escalas de trabalho e a perda imediata de competitividade nos mercados nacional e internacional.
Desafios para microempresas e o calendário eleitoral
Os efeitos da medida prometem ser ainda mais severos sobre as micro e pequenas empresas, que possuem menor margem de caixa para absorver novos custos operacionais. Estimativas da CNI indicam que negócios com até nove colaboradores sofrerão alta de custos com pessoal de 6,9% caso realizem novas contratações, podendo chegar a 10,3% se optarem pelo pagamento de horas excedentes. Para empresas que empregam entre 10 e 49 trabalhadores, o impacto estimado varia de 6,8% a 10,2%, enquanto nos estabelecimentos de 50 a 99 funcionários a variação será de 6,4% a 9,5%.
A diretoria da FINDES defende que negociações coletivas entre sindicatos patronais e de trabalhadores continuem sendo a via ideal para adequar a rotina laboral às particularidades de cada ramo econômico. Além disso, a entidade alerta para os riscos de acelerar uma pauta de tamanho impacto socioeconômico em datas próximas ao calendário eleitoral, ressaltando que decisões sobre a produtividade do país exigem análises técnicas criteriosas e diálogo em vez de debates motivados pela busca por votos.
A importância da Findes no desenvolvimento econômico capixaba
A Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) se consolida como o principal motor de desenvolvimento socioeconômico, inovação e competitividade do território capixaba. Representando mais de 19 mil indústrias e 40 sindicatos patronais, a instituição coordena um ecossistema robusto que movimenta 40,5% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e gera mais de 239 mil empregos diretos em diversas regiões do Espírito Santo. Essa representatividade confere à entidade autoridade técnica indispensável no debate de pautas econômicas, tributárias e trabalhistas que impactam diretamente a produção e o ambiente de negócios.
O protagonismo da instituição apoia-se em pilares estratégicos de grande impacto para a sociedade. Por meio do Senai-ES, a federação promove a formação profissional de excelência, enquanto o FindesLAB atua na modernização industrial integrando startups e academia. Na saúde e qualidade de vida, o Sesi-ES atende trabalhadores nos 78 municípios capixabas, enquanto o Observatório da Indústria (Ideies) fornece dados de inteligência para atração de investimentos. Reconhecida pela CNI como referência nacional em eficiência, a Findes lidera discussões sobre inteligência artificial, transição energética e o futuro das relações de trabalho.
Ponto de Vista
O debate acerca das transformações no mercado de trabalho precisa equilibrar o bem-estar social dos trabalhadores com a saúde financeira de quem gera empregos no Espírito Santo. A manifestação da FINDES acerta ao trazer dados concretos sobre o Custo Brasil e a necessidade de preservar a competitividade das micro e pequenas empresas, que são a espinha dorsal da economia capixaba. Decisões estruturais dessa envergadura demandam responsabilidade fiscal, planejamento técnico e negociação setorial.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Siumara Gonçalves | Foto: Divulgação/ FINDES | Redação: Informe Capixaba


