O bolso dos capixabas que moram em ambiente coletivo sofreu um forte impacto financeiro que acendeu a luz vermelha para síndicos e administradoras. A inadimplência em condomínios no Espírito Santo registrou um salto histórico de 1.638% no número de dívidas levadas a protesto em Cartório, consolidando a maior alta de toda a série histórica desde 2020. O levantamento oficial, divulgado nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, aponta que o volume de documentos apresentados disparou para 1.582 títulos acumulados, contra apenas 91 registros anteriores. Em termos financeiros, o montante de taxas de condomínio atrasadas que foram parar na cobrança saltou de R$ 401 mil para a expressiva marca de R$ 2 milhões.
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Cobrança rápida em cartório reduz tempo de inadimplência em solo capixaba
Apesar do aumento explosivo dos débitos, a agilidade na cobrança tem mostrado uma capacidade de recuperação muito superior aos canais tradicionais da Justiça. No período avaliado, 46,6% das dívidas apresentadas em cartórios capixabas tiveram uma resolução rápida por meio de pagamento direto, cancelamento ou acordos amigáveis entre as partes, resultando em R$ 1,1 milhão recuperado.
O presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Espírito Santo (IEPTB-ES), Rogério Lugon Valladão, explica que a inadimplência deixou de se arrastar por anos em processos judiciais lentos. Ao agir logo nas fases iniciais do atraso, a gestão condominial consegue reaver os valores essenciais para a manutenção das áreas comuns, sem sobrecarregar ou punir os moradores que pagam suas contas em dia.
Balanço do primeiro trimestre de 2026 confirma avanço contra a inadimplência de devedores
Os dados consolidados mais recentes mostram que essa tendência de endurecer o cerco contra os devedores continua avançando com força total em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os cartórios do Estado já contabilizaram 492 títulos de dívida condominial enviados para protesto, somando quase R$ 897 mil em aberto.
Atualmente, os moradores que persistem com a inadimplência enfrentam restrições imediatas em cadastros de proteção ao crédito, impedimentos para obtenção de financiamentos habitacionais, empréstimos bancários e bloqueios na Central Eletrônica Nacional dos Cartórios de Protesto (CENPROT). Conforme as regras estabelecidas pelo Código Civil, o síndico tem autonomia legal para enviar as cotas atrasadas para protesto eletrônico em nome do proprietário do imóvel, sem a obrigatoriedade de aprovação prévia em assembleia geral.
Ponto de Vista
O aumento avassalador de mais de 1.600% no protesto de taxas condominiais revela duas realidades cruciais no Espírito Santo: o reflexo da perda de fôlego financeiro de muitas famílias e, por outro lado, uma mudança de postura muito mais profissional na gestão dos residenciais.
Entendo que o síndico moderno não pode mais tolerar a inadimplência crônica, sob o risco de quebrar as contas e sucatear o patrimônio comum. Utilizar o mecanismo célere dos cartórios é uma medida de justiça com a coletividade adimplente. Quando um morador deixa de pagar a sua quota, os vizinhos honestos acabam arcando com uma cota extra pesada para cobrir o rombo. Tratar a taxa de condomínio com o rigor de uma obrigação legal inegociável é o único caminho para manter os condomínios capixabas saudáveis e valorizados.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Alexandre Lacerda / Lucas Valadão | Foto: Divulgação | Redação: Informe Capixaba | Suporte: IA


