Dedicada a revisar e reescrever o passado da população negra do Espírito Santo, questionar o apagamento de suas histórias e criar novas memórias dignas de suas trajetórias, a Revista Encruzilhada estreia em versão impressa e digital. A primeira edição é dedicada ao influente político Amocim Leite, que foi o primeiro e único prefeito negro de São Mateus.
Nota da redação: Para garantir a precisão e a sua segurança, esta matéria é revisada periodicamente pela nossa equipe. Novas informações e detalhes importantes podem ser acrescentados a qualquer momento.
Lançamento em São Mateus celebra protagonismo e memória afro-capixaba
O lançamento presencial acontece no Espaço Cultural Belas Artes, em São Mateus, contando com um bate-papo com Thalia Peçanha, Erica Vilhena e Jhonathan Medeiros, integrantes da equipe da revista. Com interpretação de Libras, o encontro compartilha os caminhos que guiaram a construção visual e narrativa desta edição de estreia. A programação traz ainda a apresentação musical da multiartista Fabíola Guimarães, que carrega em sua trajetória a força das raízes circenses e a valorização das tradições culturais afro-brasileiras no estado.
A revista é composta por editoriais, reportagens, perfis, entrevistas, crônicas e fabulações críticas, aproximando a linguagem artística da investigação documental histórica. Realizada pela produtora e plataforma cultural Cafetinaria, a publicação aborda temas ligados à memória, cultura, oralidade e permanência negra no Espírito Santo. A distribuição do exemplar físico é gratuita, e a versão digital fica disponibilizada para o público nos canais oficiais do projeto.
A trajetória política de Amocim Leite e o combate ao apagamento histórico
Nesta edição de estreia, o foco central é a história de Amocim Leite, profícuo político nascido em 1931 e falecido em 2011, cuja carreira ficou marcada pelo legado de único prefeito negro de São Mateus, cargo que ocupou em três mandatos (1972, 1982 e 1992). Antes disso, ele também atuou como vereador entre as décadas de 1950 e 1960. Sua atuação pública sempre esteve fortemente ligada à cultura popular, ao serviço social e à defesa da população marginalizada da região.
O processo de pesquisa durou cerca de 8 meses e buscou romper com as estruturas racistas que ordenam os registros da “história oficial”, muitas vezes limitadas a estereótipos coloniais. A escolha de São Mateus como ponto de partida justifica-se pelo reconhecimento do território como um arquivo vivo dessas memórias. O projeto conta com o apoio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, por meio do Edital Meu Primeiro Edital, com recursos do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Ponto de Vista:
O resgate documental de lideranças como Amocim Leite é uma ferramenta fundamental para confrontar o esquecimento histórico, permitindo que as novas gerações capixabas compreendam a verdadeira força do protagonismo negro na política e na cultura do estado.
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Editora-Chefe: Vanuza Oliveira | Fonte: Lais Rocio / Fôlego Comunicação Cultural | Foto: Divulgação / Fôlego Comunicação Cultural | Redação: Informe Capixaba


