Mônica Porto explica o funcionamento do MED 2.0 e como o bloqueio em múltiplas camadas de contas ajuda as vítimas de fraude a reaverem o dinheiro com mais rapidez
Desde a última segunda-feira (2), o sistema financeiro brasileiro conta com camadas extras de segurança que visam auxiliar contra golpistas digitais. As novas regras do Banco Central, implementam o chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0). A grande inovação é a capacidade de rastrear o dinheiro em múltiplas camadas. Antes, se o criminoso transferisse o valor para uma segunda ou terceira conta, o banco muitas vezes perdia o rastro. Agora, o bloqueio pode atingir até cinco níveis de transferências subsequentes.
Para a empresária contábil Mônica Porto, essa mudança é um divisor de águas para a segurança patrimonial dos brasileiros. “O MED 2.0 resolve um gargalo crítico. Antes, os golpistas pulverizavam o dinheiro em diversas contas ‘laranjas’ em segundos, o que tornava a recuperação quase impossível. Agora, a tecnologia permite que o sistema ‘persiga’ esse montante, aumentando as chances de a vítima ter o valor estornado”, explica Mônica.
A nova regra também simplifica o processo para o usuário. A contestação agora deve ser feita diretamente pelo botão de contestação disponível no aplicativo do banco, eliminando burocracias de atendimento humano em momentos de desespero. Assim que a denúncia é feita, a instituição que recebeu o dinheiro tem o poder de bloquear os recursos imediatamente. “A agilidade facilita o novo processo. O tempo entre perceber o golpe e acionar o botão é o que define se o dinheiro ainda estará lá para ser recuperado”, pontua a empresária.
Novo protocolo
De acordo com o novo protocolo, após a contestação, as instituições financeiras têm um prazo de até 11 dias para concluir a análise e efetuar a devolução, caso a fraude seja confirmada. Especialistas estimam que essas medidas podem reduzir em até 40% o número de golpes bem-sucedidos no país. Mônica Porto reforça que essa eficiência traz mais tranquilidade para o consumidor final, e também para o ambiente de negócios contábeis, onde o volume de transações via Pix é massivo e constante.
No entanto, é importante que o usuário saiba diferenciar as situações. As novas regras são específicas para casos de fraude, golpe ou coerção (quando alguém é forçado a fazer a transferência). “É importante deixar claro que esse mecanismo não serve para arrependimentos ou erros comuns, como digitar uma chave errada ou um valor equivocado por distração. Nesses casos, a regra de boa-fé e o contato direto com o recebedor continuam sendo o caminho”, alerta Mônica.
Por fim, Mônica Porto ressalta que a educação digital continua sendo a melhor prevenção, mas celebra o avanço tecnológico. “O Pix é uma ferramenta de inclusão financeira, e essas travas de segurança mostram que instituições estão atentas às táticas criminosas. Com o rastreamento em níveis, fecha o cerco para quem usava o sistema para o crime, e quem ganha é o cidadão honesto”, conclui a empresária.
por: Luiza Medina/ Crédito: divulgação.


